segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

Inédito

Poesia desabrigada

Dias e noites cinzas em um panorama sem igual.
Imigrantes sem destinos definidos.
Governantes sem pudor e sem verbo.
Dias e noites tingem as paredes do mundo.
Decisões descerebradas.
Acordem os homens.
Arrumem as manhãs do dia seguinte!
Os cenários estão incendiados.
Os fios dos cabelos de tantas raças se perdem.
Crianças sem infância. Pedras e tiros. Olhos vazados.
Perde-se nas muitas línguas da vida a possibilidade do “pensamento complexo”.



                                                             Rio de Janeiro, 10-11 de dezembro de 2017.




domingo, 10 de dezembro de 2017

Homenagem a Sebastião Salgado: fotógrafo da Terra

                                          Foto de Sebastião Salgado

                                         O grande fotógrafo mineiro, agora, é Membro da Academia
                                          de Belas Artes de Paris. Parabéns!

sexta-feira, 8 de dezembro de 2017

terça-feira, 5 de dezembro de 2017

Apresentação e leitura do livro Assis de Francisco/Francisco de Assis

                                       

                                           Chocolateria Envídia, em 04.12.2017.

quinta-feira, 23 de novembro de 2017

Escrevo

Momento intenso e raro. Mais um dia de ficção. A chuva desce em gotas claras. Miúdas e delicadas elas se mostram banhando o vidro da janela. Escrevo. Não pretendo ler os jornais do dia. Não há o que ler. Prefiro reler as obras que me são caras.
Receita:
Sair pouco. Trabalhar. Ler versos em voz alta. Escrever mais. Gastar as horas livres cozinhando.  Temperar o humor com sabores novos. Descortinar os gestos lentos. Habitar um olhar mais crítico.  Aceitar as diferenças.



Rio, 22 de novembro de 2017

quarta-feira, 22 de novembro de 2017

Para onde caminha o poeta? (4)

4.

Uma. Uma dezena. Quantas?
A cidade obscura não reage.
As plantas e as flores fluem em lamentos.
Ao longo do caminho indiferentes
os pequeninos micos dependurados surgem.
Plantam-se nos fios de arame da rua.

Os poetas sussurram em solilóquio.
Soam palavras a decifrar, todavia.
Helicópteros atordoam as manhãs.
Os dedos ágeis respiram o tato.  
O Tempo não diz o depois de amanhã.
Acordem, poetas do mundo!

Gemem os versos magros deste triste canto.
O ano se esvai entre sustos e soluços.
Até as brincadeiras se apagam.
O poeta ao acaso escreve. Escuta.
Lábios semifechados soletram preces.
Um som desconhecido. Uma voz rouca se difunde.



Rio, 21 e 22 de novembro de 2017.

Para onde caminha o poeta? (3)

3.

As estrelas ainda brilham? 
O poeta claustrofóbico entre quatro paredes.
Não pensa. Sente no corpo a dor da cidade.
Em silêncio padece. O poeta não está surdo. 
Suas mãos permanecem alinhadas às teclas negras.
Com as extremidades trabalha a linguagem.

Ruídos nada brandos invadem o espaço em branco.
Batidas roucas e loucas de obras estranhas.
Bizarro o mundo anda de qualquer jeito.
De lado ou para trás a humanidade desliza.
Os oceanos afundam corpos e línguas.
O céu a tudo assiste. A memória curta dos homens não se compadece.

Poetas do mundo gritem! 
Vamos invadir as ruas de vocábulos e de versos.
Não desistir nunca. Nossa Terra nossa Alma.
A música e a poesia correm dentro do corpo.
A humanidade somos todos nós.
As árvores assim como nós precisam respirar.


Rio de Janeiro, 21 e 22 de novembro de 2017.