fotos de arquivo

quarta-feira, 29 de março de 2017

des-poema da água, etc

famintos estamos todos nós
na África as crianças esperam
mas a fome insiste em bater no peito

as mães acalantam com os olhos
compridos de dor
e as mãos secas de tudo

alguns médicos se lançam
na tarefa impossível e
a água é quase um milagre

no nordeste do Brasil (na região da caatinga)
não se ouve falar de água
a limpeza do corpo é feita na água barrenta

do rio que corre sua majestade:
natureza humilde que chora
sem cuidado algum

e quando plantamos árvores
não entendem a urgência
da mata fresca

e quando salvamos um rio
onde mesmo?
esperamos os homens lúcidos

que o façam rápido...
nossa fome nos mantêm de pé
até mesmo buscando se fazer ouvir

agora!

sábado, 25 de março de 2017

"despoema"

Moussoul/ Mossul

Cidade velha sitiada
A luta é corpo a corpo
Inesperado abandono
Famílias inteiras partem
Vazias Casas vazias
Homens e mulheres fogem
Vestem agasalhos cansados
Descoloridos Demolidos
Andam devagar  
Não olham para trás 
Cidade antiga desmontada
Quase totalmente destruída
Cimento e pedra no chão
O acampamento não é próximo
Crianças não se queixam
Idosos sentem frio
A fome acalanta a esperança
Onde está a lei humana?
Abandono em demasia
Agasalhos velhos e rotos
Crianças famintas de tudo
Sem rumo 
Os pés não descansam
Nem as mãos



Rio, 25.03.2017

Jardim Botânico do Rio - fragmento de olhar




segunda-feira, 20 de março de 2017

Outonos

No outono,

desejos tomam posse da mais profunda
                                              [respiração
e alguns gestos carregam o mais distante de
                                       [nossa humanidade
(grega, judaica, cristã)?
Fixados nas pedras, os movimentos marcam
                                                [uma memória
sensorial muito antiga.




Fragmento de poema do livro Outonos, p.147
7Letras, 2014




*


OUTONO de 2014

Não há folhas douradas pelas ruas.
O calor não arrefeceu.
Não foram cuidados os hospitais que necessitam de recursos.
Não foram presos os homens que roubaram a Nação, não todos.
Não há dinheiro para fazer a conservação do convento Santo Antônio.
Não há limites para os assassinatos de um cidadão qualquer.

O Rio de Janeiro ferve na loucura e na insensatez.
Os cadáveres são desovados nos rios... e nos mares.

Não há sentimento de culpa.
Não há pedidos de desculpa.
Não há vergonha nem reflexão.
Não há petróleo no AR.
Não há buracos tapados nas ruas da cidade.
Não há transportes público suficiente.
Não há planos de saúde dignos.
Não há escolas para todos.

O Rio de Janeiro ferve :
loucura
insensatez.




domingo, 19 de março de 2017

Catedral de Orvieto - Itália




                                          Fotos de José Eduardo Barros em outubro de 2016.
                                          Nos detalhes dos baixos relevos, nas bases das pilastras,
                                          histórias do Antigo Testamento (da costela de Adão
                                          nasce Eva!)

sexta-feira, 17 de março de 2017

Revista Polichinello n.17 - ensaios

Com alegria, divulgo os ensaístas e os textos que participam deste exemplar!

Basta clicar o link abaixo:


http://revistapolichinello.wixsite.com/poli17/e-n-s-a-i-o-s 

quinta-feira, 9 de março de 2017

Amalia Rodrigues _ Com que voz _



Ainda nas comemorações às mulheres descubram a voz impressionante de
Amália Rodrigues cantando um fado!
(gravação recolhida na internet)