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domingo, 17 de janeiro de 2010

Akhmátova

Anna nasceu e morreu na Rússia.
Seus mais antigos sonhos habitaram
o quarto amarelo da casa de
Chukhardiná. Infância pagã.
O pai a levava à ópera.
No inverno patinava nos parques.
Escrevia poesias desde os onze anos.
Viu a guerra de 1914 até seu fim
no Verão de 1917.
Trenós, botas de feltros,
Montões de neve. Neves diamantinas.

O século XX começou no Outono de 1914, declarou.
Petersburgo antes dos elétricos.
Estrangeiros nas ruas. Prédios em cores.
Do vermelho ao cor-de-rosa.
(À guisa de prefácio escreveu em 1940):
No outono do mesmo ano
escrevi três peças não líricas
e criei um livro de “Pequenos Poemas”.

De repente em 1939,
no primeiro dia de setembro, a Segunda Guerra chegou.
Leu poesia aos soldados em 1944.
Perdeu o marido e um filho.
Em “Três lilases” as sombras falam.
A cada palavra o verso sem medo
e a pancada da voz.

Em 1957 escreveu:
No fundo, ninguém conhece a época em que vive.

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