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quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Fragmento do livro Anotações de viagem

23.03.05

Estamos novamente na sede da Polícia perto de nossa casa, agora no Quatorzième, para a entrega dos documentos que nos autorizam permanecer na França. Mais três meses. Já consegui a certidão de casamento traduzida. Hoje, está quase vazio o local e permaneço tranqüila. O interessante é que pegamos o número 130!


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Enquanto aguardo leio o que anotei ontem durante o Seminário de Corinne Enaudeau.

A questão da mundialização e da globalização não é simples.
Qual é o começo da viagem? (a história para Musil é sempre assim (ela comenta), pois a civilização não sabe de seu próprio patrimônio).
O filósofo alemão me remete ao que devemos organizar e preparar com as coisas que serão carregadas ao longo da história, pois elas serão o nosso saco de viagem (já que a economia é perigosa e domina as coisas e a política).
Ele considera a nossa época como um tempo de transição, mas só que desconhecemos o fato.

A solução de Musil é poética.
Em 1935 Musil deu uma conferência em Paris. E usou a figura do dançarino para dizer dele mesmo, que dançando se punha a conhecer o mundo.
Ele diz que é preciso escrever, porque o mundo parou.
Propõe movimentos procurando uma lógica de progressão e regressão.
Mas o que fazer com as coisas do mundo?
A Europa se mostra desamparada. E Musil acredita que a política usa o medo e ganha esse argumento que não é real.


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Olho ao redor.
Há muitos africanos na sala. Estou sentada em cadeira simples de madeira. Alguns permanecem de pé. Há os que não falam a língua francesa e chegam acompanhados pelos familiares ou por um advogado. Todos querem permanecer na França. Mas alguns não conseguirão.

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