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domingo, 17 de janeiro de 2010

Livro das Areias (inédito)

Ao redor das coisas – pequeninas coisas – há um hálito que, raramente, nos detemos em perceber. Não está colocado apenas na poeira que a vida cumpre em instalar nos objetos em geral, e que a luz quase não consegue filtrar na manhã-madrugada, dos dias de maio e junho, por exemplo. Consigo dizer de um “lugar”, no qual raras vezes me detive e, aonde, sem fazer alarde, consegui ver um brilho meio dourado e meio azul; purpurina das manhãs nas areias do Espírito Santo.

Vagar nas areias quando o sol ainda não deixou a luz firmar-se, pode ser uma experiência poética que não garante Nada. Um lugar que avança com o ritmo que procura deter o tempo? Um passo e outro.


Mas caminhar em direção a quê?

Um comentário:

  1. Um passo e outro,
    um "percurso insólito",
    os objetos, sempre os objetos,
    a mesa,
    a pena,
    o vaso de flores à beira da janela,
    pequenos mousses doces e salgados sobre a toalha branca,
    uma voz e outra
    e aquela
    que ouço ao lado,
    macia e fresca
    como uma toalha nova.

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