quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Trecho do livro Diários,
de Joaquim Nabuco
1874
30 de janeiro
Comecei a escrever os versos a Victor Hugo.
Às 11h M. Oppenheimer veio convidar-me para irmos a Pompéia. Partimos no trem de 12h20. Belo caminho ao lado do mar. Praias pretas e sujas. Torre del Greco e Annunziata. Em Pompéia: entrada ainda pela porta della Marina. Como devia ser belo o fórum de uma cidade antiga; colunas dóricas existentes, colunas jônicas superpostas e desaparecidas. Do alto delas, que vista sobre o mar e o Vesúvio! O Vesúvio fumega de um vapor branco; céu puro. Quando saímos, o céu estava tempestuoso, espécie de luz elétrica. Tomamos a estrada da Abbondanza. Pés da mesa de Cornélio Rufo. Estrada Stabiana; de novo ao teatro grande, ao templo de Netuno. As belas termas de Stabia. Casa de Holconius; em uma parede escrito: Otiosis hic locus non est; discede, morator* . O lupanar: inscrições dos soldados. Casa de Ariadne. A casa do Balcão ou Varanda, construção pesada e desagradável; quartos na varanda, que era uma espécie de segundo andar. De novo na Voie des Tombeaux* . O columbarium do túmulo de Scaurus. Banco do túmulo de Mamia com um bela vista sobre o mar e o Vesúvio. Uma bonita americana que encontramos e da qual fui o cicerone na casa de Diomedes. A casa do Labirinto. Mosaico de Teseu matando o Minotauro. Voltei pelo caminho de ferro: o sol poente, o mar azul e o horizonte vermelho com tons de laranja. Jantar no hotel. Conversa com miss Claussen: a coquette alemã. O dia de uma poesia: a confiança e a desconfiança.

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