fotos de arquivo

sábado, 16 de janeiro de 2010

Um vestígio das coisas

A boca não se confunde com os ruídos.
Nem bem os corpos carregam os personagens
- entre o selvagem e o perdido –
os pés ao final do corpo carregam
o peso desta manhã.
Um casal caminha em meio aos destroços.
Inquietos. (Imagens de arquivo).
Perderam a casa. Os filhos. As conexões possíveis.
Observando-os daqui, desprezo o sentido da Guerra.

O vermelho se impõe (nem sempre no sinal de
trânsito). A regra é pisar fundo, e sair da frente o quanto antes.
Nos jornais diários as matérias assustam. Incorporam detritos.
As estatísticas também. Atropelamentos, acidentes, mortes.
Dobramos e dobramos as páginas para não ler.
O vermelho se impõe: violento.

Pesados, os ombros trafegam ao redor.
Em algumas aldeias da Líbia as cidades são fantasmas. Fantoches.
Portas e janelas vazias.
No primeiro plano:
Um silêncio, um estranhamento.
O cansaço. O sono. A morte.


A cena é muito distante.
A passar... a passar as imensas águas
de um tempo cansado e triste.

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