terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Inédito

15.

(Escuto o piano de Nélson Freire: Chopin)

A lua e suas marés
quando ela sai das alturas
de tons baixos
quando ela se retira (quase nua)
uma parte de meus braços soltos
segue com as areias

Lua:
fiel ao tempo das vertigens do corpo
As sombras correm
Os corpos giram

Sem sinfonia
Em todo caso não mais as mornas manhãs de abril, mas as frias sílabas dos dias de julho que começam sem sol

Aqui as palavras partem mais facilmente

... e as caixas de areia na intimidade do sonho carregam caranguejos vivos
olhos em pé:
amarrados juntos no emaranhado de cordas
sujos dos grãos


A canção da Lua embala o trabalho
com a fraqueza na melodia das letras
essa distenção que move uma e outra linha
balança e se escande no esquecimento

A persiana do quarto
lamenta
e cai

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