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terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Uma leitura de As ondas de Virgínia Woolf

Somos parte das descobertas ao nos entregarmos no texto As ondas. Podemos ceder e até rir, deliciosamente, com as tantas artimanhas que a escrita favorece. Também podemos nos embrulhar nos cartões-postais enviados e, tal qual o personagem Percival, ficaremos esquecidos, sem noção do amor que nos foi dedicado. No entanto, se o texto de Virgínia autoriza essas descobertas inesquecíveis, deixa ver e remonta também aspectos do passado; o nosso tanto quanto o da autora. Sentimos uma espécie de torpor e experimentamos as palavras raras dessa escritora, à moda de Freud no texto “Escritores criativos e devaneios”, sabendo, aliás, que quando um escritor nos alcança dessa maneira não podemos recuar. Somos, enquanto leitores, aquilo que ele faz de nós. Nos comportamos como um objeto amado, sem conseguir escapar.

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