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terça-feira, 30 de março de 2010

Poema para uma gata


Aos animais é dada a morte bem cedo.
Aos gatos que escovamos e observamos os olhos se fecharem, aos cães, pequeninos, os que carregamos como a um filho, damos banho, alimento, proteção.
Na vida, os bichos nos acompanham. Gemem, comem. Dormem. E nos observam. Andam junto ao assoalho. Conhecem os cheiros, as sombras.
Os olhos vazam nossos ossos. Saboreiam intimidades.

Duque gostava das torradas que meu pai lhe lançava todas as tardes.
Coringa corria solto nas noites quentes de Manaus até a casa silenciar.

Quando um animal morre, enterra-se.
Na escrita um pêlo se instala.
E na história da Gata Mostarda, que escovávamos quase todos os dias,
um cão de raça pequenina e amiga surge rente ao chão.
Sentada no Limbo a observar de bem longe, ela bebe em silêncio nossos segredos íntimos.

Quando somos gata, não somos cão.

Os olhos vazam nossos olhos.
Gemem. Comem. Dormem. Perseguem cheiros.
Quando somos cão, não somos gata.

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