sábado, 3 de abril de 2010

Café Letrado
Pequeno histórico:
Creio que foi durante o ano de 2000 que inventei o Café Letrado. Visualizei-o como um “espaço” para leituras e conversas sobre o fazer poético. Pensei-o enquanto um lugar sem lugar (pois poderia acontecer em espaços outros que não os acadêmicos: livrarias, bibliotecas, etc.); um espaço, no qual os escritores e poetas convidados pudessem conversar e dizer de sua obra, dizer deste lavoro (com as delícias, as manias e/ou as tensões fazendo parte dos comentários ouvidos pelos leitores e também pelos poetas presentes).
Diferente das conferências e das palestras, que os escritores em geral fazem nas universidades e em auditórios, o Café Letrado proporcionaria, à maneira de Maurice Blanchot, uma conversa infinita, ou seja, uma conversa com a escrita (que seria regada a café e biscoito).
Os primeiros encontros do Café Letrado no Rio de Janeiro aconteceram na livraria ContraCapa no bairro do Leblon. Os organizadores convidavam dois escritores a cada vez para leituras e conversas, também com o público presente.
Priorizando os poetas, ouvimos histórias e detalhes sobre a luta com o fazer literário, em sua singularidade. Estiveram conosco os seguintes escritores, entre outros: Augusto Boal e Alcione Araújo, Armando Freitas Filho e Pedro Garcia, Sérgio Sant’Anna e André Sant’Anna, Rachel Jardim e Myriam Campello, Júlio Castañon Guimarães e Paulo Henriques Brito, Marco Lucchesi e Claudia Roquette-Pinto.
O Café Letrado aconteceu ainda nas cidades mineiras em 2002. Em Diamantina, durante o 34º Festival de Inverno da Universidade Federal de Minas Gerais, na livraria Espaço B, e em Belo Horizonte na Secretaria de Cultura (com a presença de Silviano Santiago, Ruth Silviano Brandão, Luis Giffoni, Sebastião Nunes e alguns outros poetas e editores).
1.
As bibliotecas não servem somente para guardar os livros e mantê-los bem cuidados e ao alcance de nossas mãos. Na cidade do Rio de Janeiro, alguns encontros, com múltiplas vozes de poetas, aconteceram no segundo semestre de 2005 e, depois, nos meses de agosto e setembro de 2007 e em abril, junho e agosto de 2008. Os encontros do Café Letrado: poesia & arte na Mediateca da Maison de France (2007 -2008) foram organizados por mim e por José Eduardo Barros, em parceria com a Maison de France. Alguns momentos de leituras e conversas abriram a Casa francesa nestes bate-papos sobre o fazer poético, editorial e artístico.
São conversas que tocam, resvalam e assombram o leitor, mas também trazem um movimento de vozes que sustentam a arte.
2.
No primeiro encontro do ano de 2007 escutamos a intensidade dos versos de Régis Bonvicino, assistimos algumas imagens-em-ritmo do filme de Bebeto Abrantes (Recife/Sevilha: João Cabral de Melo Neto), e a tradução e leitura de versos de Henri Deluy (também diretor da revista de poesia Action Poétique).
3.
O sopro em crise pede mais espaço ao leitor e pede ao poeta que insista. O trabalho com a língua que Régis Bonvicino explicita nos seus versos, e nos dá a ver em flashes de pontuações estranhas, comemora “o próprio processo poético que inventa sua dramatização. (...) Recusa o sentido figurado, principalmente a metáfora.”
4.
“O poeta faz a língua se conservar e andar para a frente” disse-nos, em entrevista a José Paulo Moreira da Fonseca, João Cabral de Melo Neto. O francês Christophe Tarkos explicitou algo sutil quando afirmou que o poeta faz a vigília da língua. De fato, o trabalho com a palavra compõe com a sonoridade, em texturas variadas, um resto de experiência que precisamos ouvir.
Nessa mesma direção, o filme de Abrantes consagra ao ritmo “a palo seco” cabralino um estatuto até então pouco explorado em imagens. Pois, o cineasta recolhe das ruas de Recife e de Sevilha detalhes de cenas que confirmam sutilezas da escrita “a contrapelo” de João Cabral, com um olhar e um sonido que nos ajudam a visualizar a obra do poeta, que se dedicou a construir uma poesia anti-lírica.

sexta-feira, 2 de abril de 2010

Henri Deluy e Régis Bonvicino (Foto de Rafael Viegas)


Jorge Viveiros de Castro e Heitor Ferraz



                                Na foto, feita na Mediateca, estão (à esquerda e de frente) o poeta 
                                Heitor Ferraz, o editor da 7Letras Jorge Viveiros de Castro, e os                                                             organizadores do evento Solange Rebuzzi e José Eduardo Barros.
                                

Michel Collot e Jean-Marie Gleize em 2007, Rio de Janeiro.


Antonio Cícero e Eucanãa Ferraz


Carlito Azevedo e Paulo Henriques Brito


Café Letrado na livraria ContraCapa, 2001.