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sábado, 15 de maio de 2010

Alguns versos de "La chèvre" de Francis Ponge

A cabra

“E se o inferno é fábula no centro da terra,
Ele é verdadeiro em meu seio.”
(MALHERBE.)
À Odette.

Nossa ternura ante a noção da cabra é imediata
pelo que ela comporta entre suas patas
delgadas – inchando a gaita de foles com os
polegares abaixados que a pobrezinha, sob o
carpete em forma de xale sobre seu espinhaço
sempre de esguelha, incompletamente dissimula
– todo aquele leite que se obtém das pedras mais
duras pelo meio roído de algumas ervas raras, ou
de ramos de vinhas, de essência aromática.
Bagatelas todas essas, você já disse, nos dirão.
Certo; mas na realidade muito tenazes.
Depois aquele sino, que não se interrompe.
Todo esse tintouin, graças a Deus, ela tem a
felicidade de acreditar, em favor de seu rebento,
quer dizer para a criação deste pequeno tamborete
de madeira, que salta sobre quatro pés no
mesmo lugar e se lança com um cruzamento de
pernas durante o salto, até que a exemplo de sua
mãe ele se comporta principalmente mais como
um banquinho, que colocasse seus dois pés da
frente sobre o primeiro degrau natural encontrado,
a fim de roer as ervas sempre mais alto
que o que se acha ao seu alcance imediato.
E caprichoso além disso, cabeçudo!
Por pequenos que sejam seus chifres, ele
enfrenta.

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