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segunda-feira, 26 de julho de 2010

Mais um poema inédito

A carta

(A carta acompanha a viagem, assim como as palavras passeiam em nossos ouvidos desde há muito definidos a partir das coisas ouvidas em meio aos ruídos.)


A carta enviada
na ausência de uma pessoa querida
tem a proporção da falta?

Onde a árvore dorme ao vento
as folhas escrevem
em verde raro (claro ou escuro)
no tronco duro e sólido.

Tem a proporção da falta,
uma carta?
Consegue dizer da ausência?

Uma mulher angustiada
:
a língua escreve a garganta quente
e procura dominar
rios e chuvas.
Mas, a palavra e seus ruídos
- e teclas e dedos duros –
satisfazem a silhueta de um dia
sem memória.

Qual a proporção de uma falta?
Vestida de pedra
ou inundada de águas claras
uma mulher caminha seus dias.
Uma vez mais...
A chuva.
A terra escorregadia da ladeira.
Algumas nuvens cobrem o céu.
E, de lado, voltada um pouco mais para frente
ela se mostra encoberta pelo dia que passará.
A carta
A mulher
Uma vez mais...
O vestido
A lã
A linha
O sangue
A nuvem
O papel
(dentro do envelope está vestido).

Rio, inverno de 2010.

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