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sábado, 21 de agosto de 2010

Fragmento do livro do poeta Fourcade traduzido

Dominique Fourcade no livro Citizen Do, edições P.O.L. (2008).

Post-Scriptum

*

Citizen Do não é um livro, digo, mas a reunião de textos, e só percebi que podia haver aí uma razão para reuni-los depois de tê-los escrito. As circunstâncias da vida (ou seria isso os encontros próprios à escrita? um texto chamou por outro?) me fizeram escrever, sucessivamente, sobre um primogênito que me foi muito caro, um primogênito ‘mal morto’ se fosse disso (“a marcha dos mortos mal mortos”) – depois, muito rápido em direção a uma neta, nós a imaginamos, facilmente, adoravel e vulneravelmente viva. Ao final, eu inundava em uma luz mosqueada. Dappled ligth. E não me foi preciso muito tempo para compreender que Char poderia ser lido como uma narrativa para Saskia, enquanto que Chansons et systèmes pour Saskia eram para escutar como canções para René Char. Mas sabemos bem que esta razão é factícia, e mesmo ardilosa, pois não se escreve sobre ninguém, e para ninguém – somente para si.

Há uma grande tempestade esta noite, uma eletricidade horrível está no ar, todo mundo necessita de proteção, o cachorro, a menina, o escritor, o povo, os mortos. Como proteção, a escrita não tem nenhum seguro. Mas embalar uns e outros, o cachorro inclusive, ela pode fazê-lo. (pgs. 16 e 17)

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