Somos a favor do porte de livros!
Somos a favor da economia verde!
E vamos dar voz aos nossos índios!

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Homenagem a meu avô, Augusto

Dois poemas de Augusto Estellita Lins

PEQUENAS COISAS

Pequenas coisas que tão pouco falam -
um gesto, o calor duma perfídia,
um tal perfume, aquele aí sufocado
e no que alcança ver, muita estranheza.

No vórtice do sonho, de repente
um vir à tona, lúcido, retoma
o fio da razão, logo mergulha
de novo o outro em mim, eu no vapor.

Falar de amor, só louco já varrido,
pobre coitado no desvão da vida
ou eu, manga bichada de quintal.

Calçada, a rua do amor tem, sarjeta,
redes de esgoto, encanamentos, postes:
num deles, uma lâmpada queimada.


NO BANCO DO JARDIM

No banco do jardim público - existia
um jardim. A velha tricotando. Lia o
jornal o aposentado. O bebê vagia
no carrinho azul. Onde um jardim havia

Hoje é garagem, mil carros o ocupam.
Tudo é poeira e óleo, nenhum bebê chupa
o dedo. O aposentado, olha-se na lupa do
tempo: no alazão, a noiva na garupa.

Ainda há feiticeiras em cada roca
fiando o fio da morte. Dá-me em troca
de uma gota d'água, pedalar minha broca
que corrói o fígado e um tango toca.

Viver é ficar. Não há morte na treva
que não se apaga. De mim nada me leva.


Augusto Emílio Estelita Lins
Dados Biográficos:

Nasceu no Recife, capital do Estado de Pernambuco, em 13/05/1892 , filho de Pedro Estellita Carneiro Lins e Francisca Sampaio Lins.
Primeiros estudos em casa com os pais. Estudos secundários: Ginásio Pernambucano (Recife) e Ginásio Santa Catarina (Florianópolis). Curso superior na Escola de Ciências Jurídicas e Sociais do Rio de Janeiro e na Faculdade Livre de Direito do Rio de Janeiro, formando-se em Direito em 1915.Transferiu-se para o Espírito Santo em 1916. Integrou o Tribunal Eleitoral do Espírito Santo de 1945 a 1952. Professor de Direito Constitucional e Administrativo na Faculdade de Direito do Espírito Santo. Membro do Instituto Histórico e Geográfico do Espírito Santo e da Academia Espírito-santense de Letras, onde ocupou a cadeira n. 13 , cujo patrono é José Marcelino Pereira Vasconcellos. Também é patrono da cadeira n. 37, da Academia Cachoeirense de Letras. Pertenceu à Associação de Juristas, à Associação Espírito-santense de Imprensa, à Arcádia Espírito-santense de que foi fundador e 1º presidente, ao Instituto Espírito-santense de História, Geografia e Arte Religiosa. Colaborador em diversos jornais e revistas do país, entre outros: O Dia e Almanaque Catarinense (Florianópolis) Jornal de Cantagalo e Diário Fluminense ( Rio de Janeiro) Gazeta do Triângulo ( Minas Gerais), Fon-fon, O Malho, Rio Ilustrado, Revista da Semana, Época, O Jornal do Brasil, Revista Acadêmica, A Luta, Terra Livre, no Rio de Janeiro, O Município, O Cachoeirano, de Cachoeiro de Itapemirim, Vida Capixaba, O Estado, Canaã, A Gazeta, em Vitória. Em sua homenagem, a Prefeitura Municipal de Vitória deu seu nome a uma rua do bairro Jardim de Camburí. Faleceu em Vitória, no Estado do Espírito Santo, em 30/12/1982

Nenhum comentário:

Postar um comentário