segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Aleksandr Ródtchenko no IMS do Rio

Fantástica exposição!

No olhar de Vladimir Maikóvski e na ruga de sua testa... a força do silêncio do poeta.

                               (foto e poema retirados em:


FRAGMENTOS



1

Me quer ? Não me quer ? As mãos torcidas

os dedos

             despedaçados um a um extraio

assim tira a sorte enquanto

                                      no ar de maio

caem as pétalas das margaridas

Que a tesoura e a navalha revelem as cãs e

que a prata dos anos tinja seu perdão

                                                       penso

e espero que eu jamais alcance

a impudente idade do bom senso


Obs: apenas o primeiro momento do poema "Fragmentos" em tradução de Augusto de Campos.

sábado, 29 de janeiro de 2011

CiDaDe MaRaViLhOsA

                     (foto recolhida na internet)


Notícia:

RIO DE JANEIRO al mare


Final de janeiro de 2011.

Praias superlotadas. Centenas de Barracas de sol vermelhas e azuis abertas na orla do mar. Turistas e mais turistas em movimento com a cidade que volta a sentir a pulsação de um ritmo forte, depois de alguns anos de vida no Limbo.

As calçadas, os restaurantes, as conversas animadas e o Sol e o sol...
e o Mar atlântico acompanha a orla rodeada de formas sensuais em morros e pedras ao redor de nossos olhos e nossas mãos.

Não fosse a grande tragédia – que persiste nas serras de nossa cidade – estaríamos usufruindo a alegria natural de mais um Verão. Apenas Um verão !

Há quem conte e volte a repetir as cenas do pesadelo que assistimos nos noticiários televisivos com os fatos e depoimentos, os mais impressionantes, filmados e gravados nas enchentes e catástrofes brasileiras. Há os que negam o horror e só falam do calor e do movimento dos Corpos nas areias cariocas.

Há também os que se envolveram e, que mesmo que por um só dia, ajudaram um pouco fazendo força e suando nas filas de mais um galão de água ou vários pacotes de biscoito.

Mas... poucos fazem a crítica ao Desgoverno e à situação que favorece e, apenas favorece, sempre aos Políticos de nosso País.

Não quero viver relembrando, mas não podemos esquecer !



Recebi um telefonema, agora, que anunciava neste sábado, antes das 9.00 hs da manhã, o engarrafamento do elevado Paulo de Frontin. A voz anunciou: “.. está tudo parado. O povo está indo pra praia, o povo está indo pro sol !”

A vida chama a vida.

Rio de Janeiro 41 graus.

Barracas de sol na orla do mar. Centenas.
Un mélange de couleurs e de Corps.
Línguas e mais línguas se espalham em nossas areias.

Na semana passada, segundo um taxista, três transatlânticos Desovaram milhares de passageiros na nossa cidade.

E o mar está sem poluição?


Sinto falta do Pasquim nas areias de Ipanema !

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Fragmento do livro ESTRANGEIRA

CARTÕES POSTAIS DIÁRIOS



O sol de dezembro não permanece o mesmo sob as árvores. Paris.

Um frio cada vez mais branco encobre o meu pescoço de vento.

As mulheres caminham com os pés gelados. Calças de lã e botas
negras não suavizam as pedras das calçadas. Laure, cabelos negros
escorridos, escreve versos sem rima. Sonha com o verão. Inverno
de 2008.


Do sol morno no Rio de Janeiro em fios d’água, setembro.
Alexandra ou Regina, vestidas em sandálias baixas, deixam à mostra
os dedos. As unhas dos pés quase sempre esmaltadas.
Não há qualquer pudor em mostrar os dedos. Na claridade oprimida
Joana suporta a cor de uma surpresa. Primavera de 2008.


No parque de Amsterdã, durante o inverno de 2009, plantaram mudas
de castanheiras para Anne Frank. Na primavera de 1944, ela escrevera
algo assim em seu Diário:... está coberta de folhas a castanheira lá fora,
e está ainda mais bonita que no ano passado.
Nas minhas rugas, um saber não alcança mais as mágoas. E o texto de
Anne Frank ainda se move na paisagem.


Existe em Buenos Aires um amor pelas letras que facilmente reconheço
em minhas andanças pelas livrarias da cidade. Em julho de 2008,
experimentei uma parte deste amor que se percebe fora dos livros.
Os verbos sussurram no espaço branco da página. Depois de alguns
anos, os risos, os diálogos com o mundo e os gestos de todos nós
naquela noite ressurgem. Sou uma intrusa em meio ao que reclama,
respira e segue.

Um olhar sobre Buenos Aires, Argentina


   http://www.ccborges.org.ar/  (Centro Cultural Borges)

   Cemitério da Ricoleta

                                                       Biblioteca Nacional de Buenos Aires
Escultura de Antoine Bourdelle "Centauro muriendo"
Calle Florida

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Bernard Noël

Bernard Noël (born November 19, 1930, Sainte-Geneviève-sur-Argence, France) is a French writer and poet. He received the Grand Prix national de la poésie (National Grand Prize of Poetry) in 1992 and the Prix Robert Ganzo (Robert Ganzo Prize) in 2010

O poeta Bernard Noël

"Gosto de pensar que um poema é como um acontecimento natural. 
Um acontecimento que provoca uma força natural. Uma tempestade, por exemplo.
     Uma tempestade verbal. Esta tempestade deixa traços que são os versos do poema."
(Palavras de Bernard Noël em tradução livre)

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Sobre Simon Hantaï, pintor do silêncio

Simon Hantaï morreu dormindo aos 85 anos, em Paris, no dia 11 de setembro de 2008.

O pintor trabalhou e explorou idéias de ausência e silêncio (a tal ponto que, assim como o escritor Maurice Blanchot, Hantaï desapareceu da cena nos últimos quinze produtivos anos de sua vida).


*

Born in Hungary, Mr. Hantaï was a major figure in European art from the 1950s onward. He was known in particular for abstract, often huge canvases that crackled with bold, saturated color punctuated by unfilled areas of pure white. Their singular appearance resulted from a method of folding and tying the canvas before applying paint, a process known as pliage, which Mr. Hantaï developed in the early 1960s.


Recolhido na internet em janeiro de 2011:
By MARGALIT FOX

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Algumas folhas soltas... (um livro!)

Thème, motif, motet

A homenagem escrita pelo poeta Dominique Fourcade ao amigo e pintor Simon Hantaï de forma simples e delicada está impressa. Recolho algumas palavras deste texto, que chegou às minhas mãos por acaso, e observo que Fourcade pensa a escrita e a morte sem distingui-las.

Cito:
S'il  nous arrive d'être humains, mais est-il possible que cela nous arrive, ce n'est pas la vie qui nous rend humains, c'est l'humanité, dont les dosages varient à chaque seconde de la vie. L'humanité dépend du rapport au monde, travail majeur. 
(...)
J'observe - l'écriture m'observe - je n'arrive pas à distinguer entre l'écriture et la mort - je ne puis croire qu'il ne se soit pas senti pareillement observé par la peinture
(...)
le thème intense court motivé aveugle dans
     cette vie, en mortel motet

De Dominique Fourcade para Simon Hantaï

O jovem Delacroix (1798 -1863) escreveu este texto sobre arte, publicado na Revue de Paris, em maio de 1829

O pequeno livro de 24 páginas, com tiragem de 630 exemplares, foi impresso em Caen em setembro de 1986.

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

George Sand em pintura de Eugène Delacroix

Un invierno en Mallorca de George Sand (1838 - 1839)

Prólogo, tradução e notas de Luis Ripoll.Considerado como "El libro más leído sobre esta isla", eu o adquiri lá mesmo, na língua espanhola. 

"En Mallorca, como en Venecia, los licores son abundantes y exquisitos. De ordinario bebíamos un moscatel tan bueno y tan barato como el chipre que se bebe en el litoral del Adriático. Pero los vinos tintos, cuya
preparación  es un verdadero arte desconocido por los mallorquines, son duros, negros, ardientes, cargados de alcohol..." (p. 175)

"Estábamos, pues, solos en Mallorca, tan solos como en un desierto, y cuando se había conseguido la subsistencia diaria por medio de la guerra a los monos nos sentábamos en familia, alrededor de la estufa,
para burlarnos de ellos. Pero en tanto que el invierno avanzava la tristeza paralizaba en mi interior los esfuerzos de alegría y serenidad. El estado de nuestro enfermo empeoraba constantemente; el viento llorava en las encrucijadas; la lluvia tamborileaba en nuestros cristales; la voz del trueno atravesaba nuestros espesos muros y ponía una nota lúgubre en medio de las risas y juegos de los niños." (p. 184)

Nota em inglês:
In Majorca one can still visit the (then abandoned) Carthusian monastery of Valldemossa, where she spent the winter of 1838–39 with Chopin and her children. This trip to Majorca was described by her in Un Hiver à Majorque (A Winter in Majorca), published in 1855. Chopin was already ill with incipient tuberculosis (or, as has recently been suggested, cystic fibrosis) at the beginning of their relationship, and spending a winter in Majorca - where Sand and Chopin did not realize that winter was a time of rain and cold, and where they could not get proper lodgings - exacerbated his symptoms.


(Nota recolhida na internet, no Wikipedia, em janeiro de 2011)


Em foto de José Eduardo Barros, a biblioteca dos monges de Valdemossa (com alguns livros deste acervo).

Barcelona em três clicks



sábado, 15 de janeiro de 2011

Tradução de um (pequeno) fragmento do livro D'où vient la lumière de Jean-Marie Gleize. Editora Images En Manoeuvres

SÁBADO
                                                       
Como era?

A foto ("ao se apresentar podemos crer no que existe").

Devolver os diferentes volumes do verde. A imposição de um verde sobre
outro, impressão - sobre impressão. Os volumes de um verde único.
Submetido ao afeto do verde (ao seu peso).

Um cinza esverdeado ardósia.

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Final da praia do Leblon

Poema

Pedra da Gávea





Adiante,

um corpo em pedra.

Ou dois?

Verão. E a cabeça dele

olha tudo.



De boca fechada

a esfinge

nada diz.

Só o pulsar do sono

e das ondas vagas

dormem na manhã.

O mar, a ilha e as palavras

não aplacam

(um rangido de dentes,

uma atmosfera pesada).



Distante

o concerto das cigarras

não silencia

o pensamento.

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Leitura de "Livro das areias" (inédito). Dois momentos da Primeira parte.


Chuvas de verão ?

                 
A água desce os céus.

Molha as ruas,

os telhados, os ossos.

A chuva descortina a falta.


Nos trópicos, as chuvas amedrontam.

Crianças correm

na chuva que não freia os pés.

Chuvas torrenciais.

Inundam rios, esgotos.

As águas invadem as portas das casas.

Lavam e levam as cores.



Na claridade da nuvem, por detrás do vidro desta janela,

alguma coisa não se alcança de imediato.

O vento frio e o arrepio do corpo, mudos, respiram medo.

Não é a chuva a razão deste texto, mas

os homens sem casa.

Homelessness.

Les sans-abri.