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quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Fragmento do livro ESTRANGEIRA

CARTÕES POSTAIS DIÁRIOS



O sol de dezembro não permanece o mesmo sob as árvores. Paris.

Um frio cada vez mais branco encobre o meu pescoço de vento.

As mulheres caminham com os pés gelados. Calças de lã e botas
negras não suavizam as pedras das calçadas. Laure, cabelos negros
escorridos, escreve versos sem rima. Sonha com o verão. Inverno
de 2008.


Do sol morno no Rio de Janeiro em fios d’água, setembro.
Alexandra ou Regina, vestidas em sandálias baixas, deixam à mostra
os dedos. As unhas dos pés quase sempre esmaltadas.
Não há qualquer pudor em mostrar os dedos. Na claridade oprimida
Joana suporta a cor de uma surpresa. Primavera de 2008.


No parque de Amsterdã, durante o inverno de 2009, plantaram mudas
de castanheiras para Anne Frank. Na primavera de 1944, ela escrevera
algo assim em seu Diário:... está coberta de folhas a castanheira lá fora,
e está ainda mais bonita que no ano passado.
Nas minhas rugas, um saber não alcança mais as mágoas. E o texto de
Anne Frank ainda se move na paisagem.


Existe em Buenos Aires um amor pelas letras que facilmente reconheço
em minhas andanças pelas livrarias da cidade. Em julho de 2008,
experimentei uma parte deste amor que se percebe fora dos livros.
Os verbos sussurram no espaço branco da página. Depois de alguns
anos, os risos, os diálogos com o mundo e os gestos de todos nós
naquela noite ressurgem. Sou uma intrusa em meio ao que reclama,
respira e segue.

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