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terça-feira, 29 de março de 2011

Do livro "Pó de borboleta" (ed.7Letras, 2002)

Mulheres na janela

Em Tiradentes as horas do dia
suplicam uma prece
No entardecer mulheres se penteiam
em cores na janela

No alvorecer água quente na chaleira
e cheiro de café,
a hora de dormir é marcada no bordado
que se fecha ao colo

D. Antonia suspira seus longos cabelos brancos
ao pente que a filha não se cansa de puxar
Em fios uma história se lança
no aberto da janela
aberta todo dia
em pedaços

Ontem os cabelos de D. Antonia voaram
até as mãos de seu neto Pedro na calçada
e respiraram um cheiro
de meninice

Em Tiradentes as horas do dia
suplicam uma prece!

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