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quarta-feira, 27 de abril de 2011

NA LÍNGUA MATERNA

No dia 10 de julho de 2010 caminhei pelas ruas de minha cidade. Procurei um local para um café. E escrevi em português do Brasil.




1.

Imagine a solidão de um estrangeiro.

Um árabe. Um chinês.

Um norueguês. Qualquer um.

Um país. Um lugar. Qualquer.

Os olhos. As mãos. Um café.

Um canadense.

Um alemão. Um.



Qualquer lugar.

(... e aqui não se fala inglês!)



2.

Um árabe procura um café. Está tudo fechado.

Um alemão deseja um interlocutor.

A francesa se queixa do calor.

Palpitação.

E o norueguês não encontra o caminho de casa.

Miséria.

As praias estão poluídas.

O diálogo não se faz,

embora a mímica ajude.

Copa do mundo? Onde? Quando?

Começou. Vai começar. Acabou.



 
Sou obrigada a pensar muitas coisas.

Talvez, a hospitalidade possa ser o fruto da resistência!



3.

Mês de julho. Final da Copa.

Quero crer que o futebol importa

para além das vaidades, dos palavrões e da violência.

Chutar. Pisar. Vocação sórdida.

Mas já será tarde demais?


Nenhum oceano a ver,

apenas um mar negro de óleo!

Pássaros enlameados:

negro petróleo.

No movimento do tempo

não vejo mais nada claro.

Em solidão... os homens.

Qualquer um.




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