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sexta-feira, 20 de maio de 2011

Poema da madrugada

1.
Perdida no metrô
ela marcha sem fronteiras
uma pressa sem
fronteiras
todos correm - correm
c'est par là - ah non - c'est
par ici
Ah, oui !

Todos têm pressa
uma pressa de todos os dias
todos os gestos
nos pés
poeira
outros povos
outros chãos
c'est par là
ah oui
mais non
c'est par ici

(um sobe-e-desce
não mais de ruas e avenidas
no metrô
todas
as línguas !)

2.
A mulher sorri
alimenta o filho-bebê-indiano
olhos de vazia Amêndoa

L'amande de Paul Celan
est là
dans ce moment au métro
et je suis là aussi
(com o olhar pequeno e marrom)

A mulher reconhece em mim a mulher
do dia anterior
- à mesma hora :
15:15
na estação
Cité Universitaire

Mas como posso seguí-la agora
que desceu de repente ?
Não saberei dizer o que faz
essa mulher e seu bebê
no trajeto do metrô
jusqu'à station St. Michel
Notre Dame

(Amande: fruit en forme d'oeil, plein de secret de la mort.
Fruit en forme de larme - a écrit la poètesse Martine Broda.)

Paris, 10 de março de 2005.

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