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quarta-feira, 20 de julho de 2011

PICASSO, poeta

Adquiri o livro PICASSO poète por preço de ocasião. A livraria Gibert Joseph em Paris o ofertava.
Comento que Picasso escreveu e utilizou o vocabulário da pintura: o modelo, a palheta, o pincel, o óleo, as cores, e nos deixa a impressão de escrever para dizer as coisas dando respostas novas às coisas do mundo antigo. Ele parece dar um passo para explorar com liberdade os recursos visuais e sonoros da língua.
Traduzo livremente um momento do livro que esclarece o lugar do “manuscrito”: “O manuscrito moderno constitui um objeto de conhecimento sobre o tempo e o espaço da gênese da obra, considerada como o lugar próprio da emergência do escritor.” P. 35
O livro editado em 2008, por Beaux-arts de Paris, é uma pequena joia ao meu olhar atento tanto ao traço quanto à letra do pintor-poeta. A letra a lápis ou a caneta colorida, os envelopes desenhados (inclusive a Monsieur André Breton e René Char), as rasuras, “rien que la couleur”, por toda parte a repetição e a língua – poemas de inspiração dadaísta e surrealista escritos a partir de um ponto qualquer vivido no cotidiano.
Acrescento que, ao iniciar as minhas pesquisas na biblioteca Jacques Doucet neste verão de 2011, encontrei em outro manuscrito, este escrito por André Breton, com três páginas e letra verde e pequenina, o mesmo título: Picasso poeta.
Meu interesse se desdobrou. Li, reli e tomei notas. Alguns parágrafos deste texto cheio de rasuras não se dão a ler, mas a imaginar. Breton se coloca como um leitor que admira os escritos-poemas de Picasso.
Não fosse a dificuldade de meus joelhos, ao subir e descer aquelas escadas intermináveis da biblioteca em frente ao Panthéon, eu teria bem mais a dizer!

Paris, 20 de julho de 2011.

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