quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Poemas de Wislawa Szymborska em português









Conto que:

- No dia 25.12.2011 ganhei de uma amiga o livro Wislawa Szymborska [poemas], na tradução brasileira de Regina Przybycien editada pela Companhia Das Letras.
- A foto de capa em p/b – com a poeta diante de uma xícara grande de café, o cigarro entre os dedos da mão direita e a fumaça sendo exalada – enfatiza o gesto de olhar apertado e guardado à reflexão.
- Alguns poemas despertam em nós, seus leitores, o gosto pelas “perguntas ingênuas”, nomeadas “as mais urgentes”.
- Saímos da leitura de seus versos, minha cara Wislawa, em diálogo com a pedra; sem certezas nem verdades.


Na simplicidade tanto quanto na densidade desta escrita, permaneci atenta e atônita. Recolho palavras da poeta nos 13 primeiros versos do poema “Fim e começo”:

Depois de cada guerra
alguém tem que fazer a faxina
Colocar uma certa ordem
que afinal não se faz sozinha.

Alguém tem que jogar o entulho
para o lado da estrada
para que possam passar
os carros carregando os corpos.

Alguém tem que se atolar
no lodo e nas cinzas
em molas de sofás
em cacos de vidro
e em trapos ensanguentados.

Os versos de Wislawa abrem a cena do que hoje podemos verificar, inclusive pela tv, nos momentos de guerra quando os corpos, as coisas e os entulhos estão misturados como lixo (provocado pelo próprio homem): um "real" insuportável e sem encobrimento algum.
Quero afirmar a importância deste trabalho de tradução, que nos coloca em contato com tempos distintos de guerras distintas, onde podemos descobrir nos versos szymborskianos – também a relva ou o capim e “namorar nas nuvens” da boa poesia; essa escrita depois... e depois de Auschwitz.

                                                                                                                        S.R.


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