sábado, 18 de fevereiro de 2012

Manifesto de uma poeta brasileira

O respeito à Grécia e à humanidade do homem

Temos escutado, lido e visto pela TV as imagens de uma Grécia em destruição.
Quero, em meio ao sofrimento de um povo tão antigo e digno de nosso respeito, manifestar o meu mal estar para dizer o quanto o mundo dos homens se tornou cruel nesta perspectiva ditada pelos "mercados" que, agora, comandam a política, inclusive de povos desenvolvidos e guardiões de nossa história.
Se nos próximos anos deste século não invertermos o pensamento do homem, caminharemos sem as normas da humanidade que sempre ditaram nossos princípios éticos. O que acontece hoje na Grécia foge completamente à ética humana. E, confirma a direção que vem sendo dada pelo mundo financeiro, infelizmente voltado sempre para a ganância e o “crescimento” econômico.
Já esta na hora do homem pensar mais em partilhar e gerir o que ainda temos – em termos de natureza e alimentos – para conseguir, nas próximas décadas, administrar os espaços com a pobreza e os desempregos cada vez mais crescentes.
Somos milhares de pessoas famintas e sem casa. Somos ainda milhares de pessoas sem acesso à educação e leitura. Por que não usamos nossa inteligência nesta direção? Muitos de nós vivem abaixo da linha da pobreza. Outros lutam e morrem, em diferentes línguas, buscando liberdade de expressão. Há, aqui no Brasil e na África, os que vivem de forma absolutamente fora de um mundo civilizado e à margem da cultura.
Eu quero escrever poemas e textos poéticos, mas vejo ao redor cenas impensáveis da crueldade de nossos políticos cada vez mais banais, e assisto também aos ditadores, assumidos ou disfarçados, gerarem recursos para eventos carnavalescos ou esportivos (que supostamente darão a eles alguma coisa?), e não consigo mais escrever versos sobre o dia a dia que me comove e transcende.
Por que os milionários de nosso país não investem em nosso povo? E, em nossa natureza. Todos sabem que precisamos de hospitais! Todos sabem que a natureza tem que ser preservada!  Todos sabem que deve haver controle de agrotóxicos! Todos sabem que deve haver controle nos alimentos que ingerimos diariamente, ou NÃO?
Se quisermos ser um povo respeitado, devemos respeitar primeiro ao nosso próximo.
Esperteza e ganância geram doença e fome!
Aqui ou na Grécia, aqui ou na África, aqui ou nos países de língua árabe devemos acordar e olhar ao redor e trabalhar para um fim comum. Só unidos em um movimento humano conseguiremos desmontar a regra que agora nos comanda; essa da ganância financeira e do gôzo.

Rio de Janeiro, 18 de fevereiro de 2012.
Solange Rebuzzi

domingo, 12 de fevereiro de 2012

Mário de Andrade (colagem)

Em geral todos clamam em seus discursos por liberdade de expressão e pelo fim de regras na arte. Faz-se presente também certo ideário futurista, que exige a deposição dos temas tradicionalistas em nome da sociedade da eletricidade, da máquina e da velocidade. Na palestra proferida por Mário de Andrade na tarde do dia 15, posteriormente publicada como o ensaio A Escrava que Não É Isaura , 1925, ocorre uma das primeiras tentativas de formulação de idéias estéticas modernas no país. Nessa conferência, o autor antevê a importância de temperar o processo de importação da estética moderna com o nativismo, o movimento de voltar-se para as raízes da cultura popular brasileira. A dinâmica entre nacional e internacional torna-se a questão principal desses artistas nos anos subseqüentes.

Modernismo, 90 anos depois

domingo, 5 de fevereiro de 2012

Wislawa Szymborska morreu dormindo

http://www.lexpress.fr/actualites/1/culture/deces-de-la-poetesse-polonaise-wislawa-szymborska-prix-nobel-de-litterature_1078112.html



Impossibilidades
                        para Wislawa Szymborska


Prefiro as impossibilidades
aos grandes possíveis

De um impossível - a outro
os absurdos se estendem
sobre a mesa

Flores e folhas silvestres
prefiro
(porque sim)

Alguns
não reconhecem
humanidade
no homem que passa
ao lado

A lua de abril
não termina em abril
e a rua escorre
os últimos pingos

Entre um morrer
qualquer
a aurora desmonta
a impossibilidade

sábado, 4 de fevereiro de 2012

De encomenda

Encomendei    a   José
                                           nuvens
(aos amigos esclareço
o diálogo não foi bem assim) 

Peço em seguida ao Tempo:
pare de correr
As nuvens padecem das horas

O Cristo vestido
em algodão
                          branco
No prédio espelhos
nuvens fazem buracos
roxos    cinzas
E o Dois Irmãos
na penumbra da
tarde encobre
meus dedos firmes
no verso livre da ri-
ma perfeita ?
Fabrico nuvens
gordas    doces
e assim penso
seguir...
                tranquila(mente)

As nuvens padecem das horas
Nas alturas    nos abismos
sobre as rochas carnudas
de veludos verdes
cachos alvos
tufos pálidos
        riscos    traços
passos

Encomendei    encomendei
n u v e n s
no final de janeiro de 2012

Nuvens