fotos de arquivo

sábado, 31 de março de 2012

Acabei de reler L'autre fille da escritora Annie Ernaux.
O livro pequeno foi editado pela NiL éditions, Paris 2011.
Aos seus leitores invisíveis parece estar endereçado o texto denso de Annie, escrito em primeira pessoa.

"Je ne fais ici que courir après une ombre".

Escolhi marcar as páginas de minha leitura com um marcador colorido, que comprei no Museu D'Orsay.
"Sur la plage de Boulogne" de Manet traduz algo deste texto. São os azuis e o cinza misturados na fumaça do tempo, e as mulheres vestidas em longos mirando o mar ao acaso e as velas brancas ao vento que nos levam a descobrir nas lembranças algumas situações que ficaram fixadas em segredo. Tal como a história de L'autre fille, a pintura guarda o mistério do silêncio que na dimensão da infância é um bem precioso e inesquecível.


                                           Édouard Manet, Sur la plage de Boulogne (détail), 1868.

sexta-feira, 30 de março de 2012

Homenagem a Millôr Fernandes

Millôr Fernandes e seus desenhos - 1 (© Reprodução)

Morreu Millôr Fernandes, o talentoso desenhista de nosso tempo!

O desenhista, jornalista, dramaturgo e escritor Millôr Fernandes morreu na noite de terça-feira (27), aos 88 anos, em sua casa no Rio.
O escrito Millôr Fernandes, que morreu em sua casa no Rio

quarta-feira, 28 de março de 2012

Jorge de Sena, poeta português


OS PARAÍSOS ARTIFICIAIS
Na minha terra, não há terra, há ruas;
mesmo as colinas são de prédios altos
com renda muito mais alta.
Na minha terra, não há árvores nem flores.
As flores, tão escassas, dos jardins mudam ao mês,
e a Câmara tem máquinas especialíssimas para desenraizar as árvores.
O cântico das aves – não há cânticos,
mas só canários de 3º andar e papagaios de 5º.
E a música do vento é frio nos pardieiros.
Na minha terra, porém, não há pardieiros,
que são todos na Pérsia ou na China,
ou em países inefáveis.
A minha terra não é inefável.
A vida da minha terra é que é inefável.
Inefável é o que não pode ser dito.

3/5/47

sábado, 24 de março de 2012

Pequenos relatos





                                       

Pequenos relatos no a posteriori de uma viagem

1.
ARLES, cidade do sul da França

Em outubro de 2010, a pequena Arles é povoada de folhas de outono.
Poucos, muito poucos turistas.
Frio e vento e algumas chuvas fortes.
A editora Actes Sud ocupa um belo espaço junto ao rio.
As pedras grandes, pequenas e mínimas dizem do homem e do trabalho dos homens. Operários refazem ruínas romanas do Théâtre Antique.  O chão guarda ranhuras e fragmentos deixados ao largo; cinzas do tempo.
Algumas mulheres tricotam roupas de bebê. Outras abrem janelas e portas de seus ateliês e deixam ver as mãos que torcem ou pintam o barro. 
Na feira - estirada à beira do rio - correm distintas línguas pronunciadas em tom mais baixo. Não há alvoroço. Mesmo a cabra, que serve de refúgio a um cidadão desempregado, não bale. 
Van Gogh habitou por aqui. Pintou, caminhou, comeu, dormiu. Sofreu.
Em 1888 pintou a tela que nomeou: O quarto.
O quarto da “casa amarela”, onde viveu nesta época, foi pintado mais de uma vez.
Posteriormente, a residência na qual Van Gogh dormiu e trabalhou foi gravemente danificada por um bombardeio, em 25 de junho de 1944. E, depois, a casa foi demolida.
O que resta de uma demolição ?
O pó? Cascalhos ao vento?
(na superfície das pedras e do rio...
um resto)!


Rio de Janeiro, 18 de novembro de 2010.

quarta-feira, 14 de março de 2012

Berlim: flashes diversos






                                           



terça-feira, 13 de março de 2012

Leonard Cohen singing Hallelujah


Charles Bernstein na Collection Américaine (com fotos de Susan Bee)

Double Change vous invite à une lecture de

Charles BERNSTEIN, Jean-Marie GLEIZE, Martin RICHET et Martin Glaz SERUP.

Le Jeudi 22 mars 2012
à 19h30
http://poetscriticsparisest.blogspot.com/ 

domingo, 11 de março de 2012

Colagem - Acúmulo de objetos


Tsunami no Japão, um ano depois



                                  Comento apenas que, na cena de nossos dias, devemos lançar um olhar ao povo japonês   e aprender um pouco sobre o silêncio.


Antes e depois de Fukushima


Eu vi na nuvem radioativa do Japão 

a ganância de toda a humanidade.

Eu vi a fome dos homens 

que negam a própria humanidade.

No olhar do povo japonês eu vi o vazio. 

Vi algo conhecido de outros tempos de Guerra. 



As catástrofes se somam. 

Na nuvem negra caminha a morte silenciosa.

Na onda negra galopa o tremor de terra.

:

(terremoto, tsunamis, acidentes nucleares)



Faz frio nas imagens da c a t á s t r o f e. 

Não há mais o verde. Onde estão os parques, as árvores?

Estamos todos instalados em Fukushima.



Relatórios falsos? 

A mentira verbeja na sombra que se estende 

sobretudo na Líbia de Kadafi.

Nossos olhos giram no circuito do horror.

É tarde. O solo escorre e os ruídos crescem. 

Nestas linhas estão descalços 

as crianças e os idosos.

Procuram leite e água. 



As usinas nucleares não servem para nada. 

Nem a ditadura,

nem a ditadura.

quarta-feira, 7 de março de 2012

Homenagem a Virgínia Woolf - importante escritora inglesa




Virginia Woolf (Londres25 de Janeiro de 1882 — Lewes28 de Março de 1941) foi uma escritoraensaísta e editora britânica, conhecida como uma das mais proeminentes figuras do modernismo.
Woolf era membro do Grupo de Bloomsbury e desempenhava um papel de significância dentro da sociedade literária londrina durante o período entreguerras. Seus trabalhos mais famosos incluem os romances Mrs Dalloway (1925), Passeio ao Farol (1927) e Orlando (1928), bem como o livro-ensaio Um Quarto Só Para Si (1929), onde encontra-se a famosa citação "Uma mulher deve ter dinheiro e um quarto próprio se ela quiser escrever ficção".

segunda-feira, 5 de março de 2012

Homenagem a Heitor Villa-Lobos

                                          Camerata de Violões. Trenzinho do Caipira

Cenas de rua (antes e depois do carnaval)




                                                     

quinta-feira, 1 de março de 2012

Homenagem a Lucio Dalla


Rascunhos e inacabados


I.
Onde estão Anna Akhmátova e Marina Tsvétaïeva agora que a grande Guerra findou, e os tempos insistem em inscrever a Rússia a partir da luta... Elas teriam muitas outras histórias a contar.
No mármore da janela violetas arroxeadas crescem. O som do martelo no vizinho vasculha paredes antigas. Iva passa camisetas de algodão. Faz calor. O chocolate quente não fumega na xícara, nem o chá. Acabei de escrever uma carta. Ela deve guardar notícias que acendam a memória. Uma lâmpada ou uma vela e mesmo uma lanterna velha portam o texto.
Acorda, no dia primeiro de março de 2012, alguma esperança em um senhor de 87 anos.