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sábado, 28 de abril de 2012

Mont Saint-Michel e anotações delicadas

                                             Imagem retirada do Le Figaro 28-04-2012:
                                             Saint-Michel em 2025



Anotações delicadas

Os degraus enormes e inúmeros do Mont Saint-Michel são irregulares. As pedras guardam imperfeições de superfície e obrigam ao passante - viajante ou não - uma respiração diferente para atender as necessidades do corpo.  
Subida íngreme.
À primeira vista, confunde-se a visão que obriga a observação do mar
de perto de longe e mesmo no horizonte longínquo. 
Raios de luz
azuis e amarelos.
Infinitas areias.
A maré rapidamente se espalha
em espaços amplus.
Uma bruma espuma ou lã
agasalha o olhar.




 
    Fotos de José Eduardo Barros (2005)

sábado, 21 de abril de 2012

                         Evento Experiências de Tradução II, na Mediateca da Maison de France-RJ

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Algumas histórias do mar


                                                                          Foto de José Eduardo Barros


1.
As pálpebras e as pupilas se assanham em movimento. 
A onda e o vento dizem as regras ao corpo:
Não force os joelhos
Segure o equilíbrio
Firme os pés batendo-os devagar.

Dobrada a onda
[em espuma]
carrega o esforço
ali onde se passa alguma
coisa doce e musical.


2.
Nada se agita exceto o som rouco quase frio e distante.
O fundo do mar é uma espécie de casa grande com a vida circulando em todos os cômodos. Seus habitantes respeitam a diferença de forma vasta.
Não há muros nem paredes e todos têm espaço, embora alguns só circulem à noite.
As rochas negras ou verdes de tapetes-musgos abrem suas fendas e, aos mais distraídos, oferecem refúgio. As areias dão o piso amplo.

3.
O lixo – quase sempre largado ao acaso – afunda e deixa ver o homem em seu fracasso. Essa infinidade de coisas mortas e largadas para todos os lados transformam a maré em constante movimento; um vai-e-vem de sacos plásticos e latas.

quarta-feira, 18 de abril de 2012

Praias e pedras da costa brasileira

                                          Salvador, Bahia
                                          Fortaleza, Ceará
                                                       Guarapari, Espírito Santo
                                          Parati, Rio de Janeiro
                                         Leblon, Rio de Janeiro
                                          Urca, Rio de Janeiro

domingo, 15 de abril de 2012

No outono,

o ar em movimento...
em nossa "intimidade" os desejos tomam posse da mais profunda respiração
e os gestos carregam o mais distante de nossa humanidade (grega, judaica, cristã)?

Fixados nas pedras, nossos movimentos marcam uma memória sensorial muito antiga.

Na poética tanto quanto na psicanálise (em sua prática) encontro razões para me confrontar com o tempo,
a história, o desejo.
No movimento sempre relançado, a imagem em sua relação com o sonho nos apresenta sua questão.
A imagem de um sonho - até mesmo esquecida - em um relato que tenta desenhá-la mas não consegue.
Resta apenas um gesto. Qualquer.

As imagens se fazem e se desfazem.
A palavra restitui a memória, a sua superfície legível.

Acaso, já pensamos que são as imagens que nos levam a "ver" o sonho (nestes espaços em branco
nos quais eles muitas vezes se mostram?)



rio de janeiro, 15.04.2012.

sexta-feira, 13 de abril de 2012

Arquivo pessoal

                                        Em Siena (Itália), 1985. Foto de Xavier de Albuquerque.

Um gesto de ar no movimento do corpo.
Uma ação reflexa?
                              Um sopro.
Nossos gestos marcados pela emoção
testemunham algo do vento?
(a cidade de Siena respira em meu corpo)

O ar visceral.
O sopro do vento.
O silêncio.  




                                             Fragmento do livro Quase sem palavras (escrito no final da década de noventa, e muitas vezes reescrito.)


domingo, 8 de abril de 2012

Meus caros leitores

Sobre o livro: O idioma pedra de João Cabral
ed. Perspectiva. Coleção Estudos

O poeta João Cabral de Melo Neto construiu, ao longo de sua obra, uma poética mineral. São versos, metrificados ou não, que contam muito da vida do Nordeste com seu povo e seus hábitos. A sua linguagem – aqui nomeada “idioma pedra”, alimentada na memória de uma infância vivida em meio às canas e às usinas de açúcar, em Recife, com a seca e a fome dando direção à mão que escreve – traduz um Brasil singular. Alguns de seus poemas como “Morte e Vida Severina”, considerado um Auto de Natal pernambucano, e “O Cão Sem Plumas” ou “O Rio”, empreendem uma viagem na escrita que nos levam a querer ler poesia brasileira, pois o aprendizado se dá com as narrativas de costumes e de geografias várias. Tal empreitada avança com as palavras de pedra, caroço, osso, faca, deserto, entre outras, para identificar na língua um “escrever em nordestino”. O poeta João Cabral apresenta os seus poemas perseguindo uma construção arquitetada. Ele vai colocando os versos “como se fossem tijolos”. “É por isso que posso gastar anos fazendo um poema: porque existe planejamento”, nos diz em entrevista. De acordo com o que vamos encontrando ao longo desse caminho, podemos nos surpreender e verificar que a obra de João Cabral escreve Recife e seus restos, e as inúmeras viagens do poeta pelo mundo, mas, ainda inscreve o nome próprio do poeta na poética que se desdobra na fórmula Cabral/cabra.


quinta-feira, 5 de abril de 2012

Poema


Crônica de carnaval
                                               
A febre    o calor
a bruma do mar
Um oceano de sacos
p l á s t i c os
lixos em demasia

Fim de carnaval:
a escola campeã
cor de barro
trajou o nordeste
sertanejo

Além do cantador
s e v e r i n o s
e a voz da bateria
(samba  baião
xote   xaxado)

Na sanfona de
Luiz Gonzaga
mirou-se sertão
e forró pé-de-serra
longe   longe

Os blocos:
bêbada alienação
e muitos goles
“Três dias só ... só três”
é pouco

Álcool   álcool
Mais   Mais !
até (gratuitamente)
por estas e muitas outras
bandas

Final de fevereiro,
Rio de Janeiro
(i) mundo


segunda-feira, 2 de abril de 2012

Caderno de viagem

Paris, le 29.12.2008.

1.
O bairro do Marais estava em festa.
Comidas típicas judaicas; sabores doces e agridoces.
O frio dava o tom aos agasalhos que se misturavam com o olhar do passante: europeu, japonês e brasileiro.
Todos trafegam em todas as direções.

Ela olha os detalhes das portas enfeitadas nessa semana de Festas.
Desenhos coloridos conduzem esse momento.

2.
Não consegui ver as luzes de Natal da Cidade-luz!
Escutei nas folhas dos jornais as bombas explodindo famílias na Faixa de Gaza.

L'Humanité escreveu na primeira página:
"Près de 300 morts et 700 blessés à Gaza."


(lundi, 29 décembre 2008).