quinta-feira, 19 de abril de 2012

Algumas histórias do mar


                                                                          Foto de José Eduardo Barros


1.
As pálpebras e as pupilas se assanham em movimento. 
A onda e o vento dizem as regras ao corpo:
Não force os joelhos
Segure o equilíbrio
Firme os pés batendo-os devagar.

Dobrada a onda
[em espuma]
carrega o esforço
ali onde se passa alguma
coisa doce e musical.


2.
Nada se agita exceto o som rouco quase frio e distante.
O fundo do mar é uma espécie de casa grande com a vida circulando em todos os cômodos. Seus habitantes respeitam a diferença de forma vasta.
Não há muros nem paredes e todos têm espaço, embora alguns só circulem à noite.
As rochas negras ou verdes de tapetes-musgos abrem suas fendas e, aos mais distraídos, oferecem refúgio. As areias dão o piso amplo.

3.
O lixo – quase sempre largado ao acaso – afunda e deixa ver o homem em seu fracasso. Essa infinidade de coisas mortas e largadas para todos os lados transformam a maré em constante movimento; um vai-e-vem de sacos plásticos e latas.

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