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domingo, 24 de junho de 2012

Notas sobre Tradução e psicanálise


As relações entre psicanálise e tradução são muito complexas.
Sabe-se que Freud, por exemplo, chegou na França pelas traduções que tendiam a desnaturalizar o essencial de sua inventividade. Essas traduções visavam a comunicação de sentido.
Muitos anos depois, Lacan retomando os textos de Freud conseguiu com suas leituras-traduções interrogá-los em uma trama delicada diante da língua e suas imagens.
A psicanálise pode ser tomada e estudada, inclusive, pela força que mantém com a tradução, "na medida em que ela indaga a relação do homem com a linguagem, as línguas, e a língua "dita materna" (Antoine Berman, L'épreuve de l'étranger, p. 283. Gallimard).

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O poeta, tradutor e professor armeno Marc Nichanian contribui de forma singular nestas questões que hoje se impõem no mundo ao afirmar a importância da tradução neste momento. A tradução pensada enquanto experiência. Ele considera que vivemos a 'era das Catástrofes' e diz que é preciso testemunhar. 
Traduzir é testemunhar! Traduzir também é experimentar na língua a diferença e a perda.
Ainda com o escritor Nichanian encontramos a afirmação de que a tradução é um "ato criador", e ela pode ser vista enquanto um ato de testemunho.
Consideramos que, nos últimos vinte anos, vivemos a "era do testemunho". Um testemunho moderno na linha de Primo Levi, Paul Celan, Victor Klemperer, Jorge Semprun e outros.

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