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terça-feira, 17 de julho de 2012

Celan lê Freud / Celan lit Freud



Encontrei na internet, recentemente, um texto escrito por Jean Bollack que comenta versos de Paul Celan em uma análise densa, e os liga a textos freudianos sobre a Guerra de 1914-1918.
            Nuits de gris, préconsciemment froides,
            Noites de cinza, préconscientemente frias,
Na noite há a presença de uma noite sem cor, que também se reporta à “cinza” dos corpos incinerados. A materialidade da palavra carrega mais de um sentido e – em um giro – conseguimos ler o que o nome tem a dizer.
A noção de passagem com nuances ínfimas – “o cinza sob o cinza” – tanto quanto a palavra com sua materialidade precisam ser ditas e reditas.
            Ler... reler... tresler...
Além do Princípio do Prazer que estuda as neuroses de guerra, onde Freud anunciava algo da “compulsão à repetição” se afastando do “princípio do prazer”.
O horror vivido na Segunda Guerra, e o luto como o tom “cinza-sobre-cinza” dão o sinal
          Au-dessous de la conscience
                  (...  Et pas de paix)   
conforme o título deste poema de Celan
         Abaixo da consciência
                 (... E sem paz)
que traduzimos livremente, embora fique martelando na mente que os traumatismos da guerra sublinham a compulsão à repetição; “(... E sem paz)”.
Bollack considera que Freud acompanha Celan, pois há nos versos celanianos um redizer e uma re-escrita constante.

Agora,
Aproveito pra também dizer que a Guerra na Síria é uma presença. Não conseguimos vê-la direito mas, lá, eles matam diariamente a própria população que grita seu sofrimento ao mundo!
De um passo a outro,
indago: precisamos investir em armas bélicas no Brasil?

O relógio pulsa
A pulsão de morte
Situa-se no meio
                              Do horizonte da linguagem humana
A boca grita:
Leiam
Freud!


Rio de Janeiro, 16 de julho de 2012.




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