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quinta-feira, 5 de julho de 2012

Fragmento do livro 'Quase sem palavras' (7Letras, 2011)

A janela está aberta. O outono se inicia com as folhas das castanheiras avermelhando o verão. Os porteiros da rua juntam em montes as folhas. Arranham o chão em barulhos de vassoura e cimento. A louca senhora da redondeza trabalha sua rotina compulsiva: varre, varre, varre.
O que varre esta senhora? Inicia de repente no canto do muro, sem parar fica horas sem fim varrendo o mesmo espaço. Uma folha é uma folha arrastada pelo vento, molhada da aurora. Nem sempre corre no chão. Para de repente e logo recomeça. Leva montes de folhas em qualquer direção, subitamente desiste. Não há como penetrar os caminhos do absurdo.
Enrolada na manta verde do sofá da sala, respiro a impaciência do lugar onde me encontro. Vou até a cozinha, preparo uma massa para o almoço, com decisão. A mulher que varre os sonhos habita minha mente, em voltas e voltas.
Afinal, o que varre esta mulher?

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