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quinta-feira, 26 de julho de 2012

Inédito (publicado na revista Famigerado )


  Poema da madrugada

1

Perdida no metrô
ela marcha sem fronteiras
uma pressa sem
fronteiras
todos correm – correm
c’est par là – ah non – c’est
par ici
Ah, oui!

Todos têm pressa
uma pressa de todos os dias
todos os gestos
nos pés
poeira
outros povos
outros chãos

c’est par là
ah oui!
mais non
c’est par ici

(um sobe-e-desce
não mais de ruas e avenidas
no metrô
todas
as línguas!)

Et on voit des traces des horizons de l’azur curieux –
c’est bon le vent qui vient de la fenêtre
la clarté me stupéfie


2


A mulher sorri
alimenta o filho-bebê-indiano
olhos de vazia Amêndoa

L’Amande de Paul Celan
est là
dans ce moment au métro
et je suis là aussi
(com o olhar
pequeno e marrom)

A mulher reconhece em mim a mulher
do dia anterior
– à mesma hora:
15:15
na estação
Cité Universitaire

Mas como seguí-la agora
que desceu de repente?
Não saberei dizer o que faz
essa mulher e seu bebê
no trajeto do metrô
jusqu’à station St. Michel-
Notre Dame


(Amande: fruit en forme d’oeil, plein du secret de la mort.
Fruit en forme de larme - a écrit la poètesse Martine Broda)
Paris, 10 de março de 2005.


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