domingo, 15 de julho de 2012


Relendo Freud
                       
São as 17 palavras ou expressões freudianas escolhidas e comentadas na interessante tradução de Marilene Carone, no livro Luto e Melancolia, que me movem a escrever agora.
O livro de capa dura brinca com as letras que se mostram em movimento nessa capa cinza que a editora CosacNaify nos oferta, em primeira reimpressão, 2012. O movimento que está inserido também no trabalho de linguagem que os textos “Melancolia e criação” de Maria Rita Kehl e “Uma ferida a sangrar-lhe a alma” de Urania Tourinho Peres, que participam do livro tanto quanto o clássico “Luto e melancolia” de Freud, (antigo conhecido), é o mesmo movimento que escutamos na clínica de nossos analisantes, que falam... falam... e, um dia percebem que se colocaram a mover a vida, movendo “as letras” de seus desejos.
Lentamente, abro um parêntese para dizer que o entusiasmo nessa leitura é grande.
Recebo essa tradução de Marilene Carone, discutindo dezessete momentos do texto de Freud, que vão desde o estado de ânimo do luto (fazendo a distinção com a disposição para o luto, conforme a tradução anterior equivocada) até um possível “cochilo de revisão” na tradução de ‘alternation’ para alternação, que é recuperado como “alternância”, do alemão abwechslung, claro!
Não fosse a tradutora também uma psicanalista, dificilmente encontraríamos as Notas sugeridas de leituras, outras que as de Freud, que podem vir a dar algum esclarecimento a mais ao texto “Luto e melancolia”. Alguns conceitos são recuperados como tais. E esse é o caso dos termos Kompromiss e Regredieren. Ambos os termos foram traduzidos de forma aleatória anteriormente e perderam o sentido primeiro. São palavras de raiz que dizem da 'formação de compromisso' e da 'regressão' (e não da 'transigência' e nem de 'retroceder').
Ler Freud é sempre inovador!


                                                                                   
                                                                      


Freud em sua mesa de trabalho. Londres, 1838.
                                          

Um comentário:

  1. Muito interessante a reflexão. É incrível como Freud é atual. Li alguns desses textos no ano passado e realmente nos toca a clareza e precisão com que ele talha seus pensamentos.

    Obrigada!. bj, Glaucia Nagem

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