fotos de arquivo

sábado, 29 de setembro de 2012

Don Quichotte - Présentation vidéo (Opéra Bastille)

Don Quichotte - Présentation vidéo

Clique no link (acima) para ver um momento do balé Dom Quixote na Ópera da Bastilha em Paris.

sábado, 22 de setembro de 2012

Meninas de Lewis Carroll



        Muitos adjetivos elogiosos poderiam ser usados para nomear o livro Meninas de Lewis Carroll, editado em Lisboa pela Assírio & Alvim.
Recheado de cartas e fotografias em p/b, feitas pelo próprio Carroll, a edição surpreende desde o início.
Afirma-se que "uma carta é uma dádiva", e essas cartas de Carroll endereçadas às muitas meninas fotografadas por ele são, de fato, "prendas" que nos envolvem, enlaçam e divertem. 
As expressões das meninas sérias, serenas e sensatas, em poses e vestidos de época expõem o mundo em movimento. Não há nada do "infantil" conhecido e manipulado na mídia de nosso tempo. Somos lançados no imaginário de Lewis Carroll, que brinca com as letras e as endereça às meninas exatamente como escreve ao leitor comum. No contexto de um prof. de Lógica e Matemática de Oxford, ainda lecionando, o escritor se apresenta como um amigo. 


sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Árvores (do livro Estrangeira)

                                                          Árvores

                                   As folhas das mangueiras incorporam passos.
                 Em Manaus, durante a minha infância, havia uma fábrica por aqui
                (bem perto do aeroporto). Havia a juta, a fibra de cor luminosa
                estendida ao solo. Os ruídos das máquinas e as mãos dos homens. Lá
                no alto, o apito da sirene. Os sacos de juta no chão.



              Havia uma fábrica bem aqui.                 Nuvens leves. Pobrezas íntimas.

                                             Ainda há SUMAÚMAS
                                                           no
                                               A M A Z O N A S ?



                                                                      (fragmento do poema "Árvores")

Árvores (Convento de St.Antonio no R.J.)




                                                 

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Mar do Leblon - Rio de Janeiro


Fragmento do livro Quase sem palavras

O olhar largado na correnteza do mar. Matizes de lua.
     De cima da pedra alta não se veem os peixes, embora as gaivotas os anunciem.
A pele arde o sal que o sol ajuda a secar. Montes de riscos brancos. Ásperos.

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Paul Valéry: Degas dança desenho

                                                  Duas bailarinas descansando, 1896.

Eu não o li de uma só vez. Fui sorvendo devagarzinho.
Confirmo a importância da apresentação do texto de Valéry, que pede ao leitor, logo no início do livro, uma leitura vagarosa.
De fato, são as reflexões do poeta em recordações singulares sobre o artista de inteligência rara que me levaram a vagar da dança ao desenho em meio às surpresas que o escrito estabelece.
Com a embriaguês que caminha do langor ao delírio e oscilando entre “uma espécie de abandono hipnótico” e “uma espécie de furor” a dança se mostra nessa escrita. Entre as fotos em p/b distribuídas nas páginas do livro, editado pela CosacNaify (Portátil), encontramos razões para dar ao nosso olhar um espaço desejante.
O desejo é o de desvendar o Universo da Dança e ainda o de apreender os “atos” de movimentos vertiginosos ou paralisados que a pintura de Degas nos faz realizar pela escrita de Valéry.
A bailarina é uma mulher que dança?
Degas a descreve como “cúpula de seda flutuante”, (...) “longas correias vivas percorridas por ondas rápidas, franjas e pregas que dobram; desdobram; ao mesmo tempo que se viram, se deformam, desaparecem.” (p.33)
A imagem bem pode ser pensada como metonímica, pois reconhece a parte (de um corpo) pelo todo. Mas, outro relato descreve também que:
“Não há solo, não há sólidos para essas bailarinas absolutas; não há palcos; (...) Não há sólidos tampouco em seus corpos de cristal elástico, não há ossos, não há articulações, ligações invariáveis, segmentos que se possam contar...” (p.33)

Devo repetir que é o movimento elástico do corpo feminino – aqui visualizado na leveza absoluta da dança das bailarinas da tela de Degas – que se estrutura no texto do poeta. O que o-olho-vê-a-mão-escreve. 
A poesia se encontra aí nesse caminho entre o olho e a mão:
Intervalo vertiginoso e belo tanto quanto intraduzível, pois simplesmente pisca!
(e, algumas vezes, na ponta dos pés de uma bailarina que descansa)!

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

às vésperas da primavera

                                           Árvore 'abricó de macaco'.
                                                         Árvores e livros sustentam a vida!

domingo, 2 de setembro de 2012

Reminiscências de José Rebuzzi


Reminiscências I

02/10/2009

Recordo aqui, com emoção, a velha amizade que nutro com um dos mais fascinantes indivíduos que o mundo já produziu: José Rebuzzi.
Empresário da área da indústria têxtil, aposentado, vivendo as delícias de Guarapari, esse sujeito formidável é meu amigo há mais de 50 anos e, invariavelmente, nos avistamos e, haja tempo para conversar...
Zé Rebuzzi, como é carinhosamente chamado por todos na família e, de “tio Zé”, pelos meus filhos e netos, quando residia em Manaus, onde dirigia a Brasiljuta, me apresentou a um dos homens mais inteligentes que já conheci: Samuel Bechimol, notável advogado e o maior conhecedor da Amazônia Legal, infelizmente já morto.
Outro dia recebi do Zé Rebuzzi um bilhete (cópia) que ele me remeteu em 20.05.71. Essas peças fazem das minhas reminiscências, valem para mim um tesouro e mostram que o mundo, daquela época mudou, para pior.
Vejamos o que nos manda o Zé...
“Gutman querido,
Nos meus guardados encontrei registros, escritos por você, de episódios deliciosos, para serem recordados. Estou enviando cópias (xérox) de dois deles:
    - Jesus Cristo!!! Eu estou em Vitória; e    - Siri, pimenta e novela.
O primeiro, invocando Cristo, por ajuda, em busca de uma simples comunicação telefônica Vitória-Rio. Como era difícil. E como já está, novamente, difícil – sempre pela má qualidade do serviço prestado pelas teles - nacional e estaduais.
Armstrong e sua equipe já haviam estado na lua, de onde se comunicavam com a base, em Houston ou Cabo Canaveral – e nós não conseguíamos comunicação dentro do nosso país.
O outro episódio, além e mais do que “Siri, pimenta e novela” fala de uma família e seus amigos, de uma novela e seus fãs, de um bar verdadeiramente comunitário – a ponto de ser conhecido como o bar de Da. Farid, que nos acolhia a todos com alegria e com carinho. Também com siri, com pimenta e com televisão para que os aficionados torcessem pelo João Coragem.
Veja que já se foram muitos dos citados por você: o casal Lins (Dr. Augusto e Da. Braulia), a Da. Farid e o Sr. Filomeno (os donos do Bar), o Pedrinho de Biasi (empreendedor da Aldeia da Praia e bom jogador de sinuca), e o mais recente, o Zé Costa de todos nós.
Curiosamente, meu caro Gutman, aquele mundo gostoso e sadio de costumes, de boa convivência, de amizade, de civilização, cabia no nosso Guarapari. Que todos amávamos e preservávamos. A diferença entre nós e o poeta de Miraí – Ataulfo Alves – é que ele era feliz e não sabia. E nós sabíamos.
20.05.71
                                                             Abraço fraterno do Zé”




 “Siri, pimenta e novela
Para comemorar os 79 anos bem vividos do Dr. Augusto Emilio Estelita Lins, a família toda reuniu-se em Muquiçaba, Guarapari. Do Rio vieram os José Rebuzzi e os Dalton Lins e de Vitória foram os José de Figueiredo Costa, juntando tudo: filhos, noras, netos, etc.
São poucos os que, como o Dr. Lins, têm a felicidade de comemorar, em tão doce união, ao lado da filharada alegre, mais um ano de vida. Ilustre por excelência, tem dado à cultura de nossa terra os mais relevantes serviços, sem se falar nos seus méritos de advogado integro e respeitável.
Foi assim que Guarapari recebeu bem uma grande turma para churrasco, na residência dos Rebuzzi. Fim de tarde, aparece sem aviso o Pedro Vivacqua de Biasi, que está realizando o mais arrojado loteamento que se tem notícia no Estado, na adorável Flexeiras.
Não tinha dado ainda as vinte horas, o Pedrinho ficou com fome e convidou a turma para uma sirizada no bar da Sra. Farid. Assíduo freqüentador, o Rebuzzi esclareceu que a hora era Imprópria. “Faltam dez minutos para a novela do João Coragem. No bar cessa tudo neste momento. Eu já conheço a casa”...
Pedrinho, com fome, barriga roncando, protesta. “Vamos, Zé. Faltam dez minutos. D. Farid coloca os siris enquanto começa a novela”.
No bar, um movimento fora do comum era observado. Todos esperavam a novela. D. Farid tentava colocar a imagem na tela e o aparelho só transmitia o som. Já se esperava uma noite sem imagem, quando o José, cansado de tentar também, mandou que todos imaginassem o que ia acontecer. O som estava ótimo. Hélio Rosetti pediu para dar “um toque” na TV, e as palmas surgiram após a imagem.
Vendo D. Farid satisfeita, e Dalton deu o bote. “Como é D. Farid, dá cá um abraço! Tem siri pra nós? Não se esqueça da pimenta”!
- Pimenta tem, mas não por sua causa. Por ele sim... – E apontava para o José Rebuzzi. 
A dúzia de siri sumiu como por enquanto. Pedrinho estava com fome... Na última perna, chegou o Dalton com um prato de camarões cozidos. Como cheiravam...
Afirma Pedrinho de Biasi que nunca comeu em sua vida coisa tão gostosa, e molhava cada minúsculo representante da família dos decápodes na pimenta com limão.
A novela caminhava a todo vapor, com a turma gritando: “cuidado João, ele está atrás”, até que surgiu um pau-d’água fedendo a hippie, espalhando gente no até então sossegado salão.
Terminada a novela, o aniversariante, que não perdia um lance, levantou-se da cadeira e puxou o cordão de filhas para casa, enquanto os homens tomavam conta da sinuca até as vinte e três horas.
A GAZETA – 18.05.71                                     UCHÓA DE MENDONÇA”
                

Texto recolhido do
http://www.uchoademendonca.jor.br/default.asp?id=812
http://pt.wikipedia.org/wiki/Ataulfo_Alves