quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Walter Benjamin "A obra de arte na época de sua reprodutividade técnica"


Walter Benjamin ainda e sempre

“toda tradução é apenas um modo provisório de lidar com a estranheza das línguas”.
                                                                                          Benjamin

A editora Zouk (Porto Alegre) lançou este ano a tradução, inédita no Brasil, do ensaio “A obra de arte na época de sua reprodutividade técnica”. O texto de Benjamin que havia sido publicado pela primeira vez em 1989, em Frankfurt, é a segunda versão da primeira que foi escrita em 1935 (aqui no Brasil traduzido também por Sérgio Paulo Rouanet, fiel propagador das ideias de Benjamin e da Escola de Frankfurt).
A capa deste livro, focada em O grande ditador de Charles Chaplin, centraliza o cinema e a fotografia nesta segunda versão ampliada que o tradutor Francisco De Ambrosis Pinheiro Machado relata como sendo a que abarca questões suscitadas por Adorno e Horkheimer.
Recorto de minha leitura a definição (poética) seguinte:

                            “O que é propriamente aura? Um estranho tecido fino
                             de espaço e tempo: aparição única de uma distância,
                             por mais próxima que esteja”. (P.27)


É justamente a aura que vai desaparecer no período de reprodutividade técnica da obra de arte. A obra de arte cada vez mais reproduzida parece ter um lugar que causa estranheza Questiona-se o valor da obra de arte a partir de seu fundamento no “ritual”.      
Como sabemos, quando surge a fotografia em 1826 nas mãos do francês Joseph Nicèphore Niépce (possivelmente desdobrando experiências feitas na Alemanha por cientistas que já tinham obtido silhuetas fixas em negativo) o lugar da arte era garantido. Mas, quando a arte "com o advento do primeiro meio de reprodução efetivamente revolucionário - a fotografia (ao mesmo tempo que o despontar do socialismo)" percebeu a crise, buscou-se a ideia de uma arte "pura". Benjamin estabelece a relação com o comentário da mudança de lugar da arte que, então, passa a se fundar na política (aspecto visivelmente percebido pela “difusão em massa das obras cinematográficas”).
O registro fotográfico de agosto-setembro de 1920, na imagem reproduzida no livro com o cartaz dos Jogos Olímpicos da Antuérpia na Bélgica, esclarece que o humano da competição precisa ser “provado”. Mas, são as ruas de Paris por volta de 1900, “vazias de homens”, que me fascinaram especialmente. As fotos são registros políticos, documentos históricos. É impressionante a foto da página 48 que deixa ver um carrinho de mão no meio da rua e um pedaço de uma carroça tombada ao mesmo tempo em que recorta inúmeros cartazes nos muros e nas paredes das residências, segundo o olhar do importante fotógrafo Eugène Atget.
Sublinho que “as notas” deste livro ganham destaque na forma como se apresentam ao leitor. Dispostas em 'vazios' ou 'entre vazios', elas dão um ritmo diferente à nossa leitura.

Rio, 10.10.2012.


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