segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Escrever a mão



Cavar a letra na página e desenhar as pernas e o corpo da letra que caminham com a escrita, e, a cada vez, como se fosse parte da intimidade mais guardada; aquela desvendada na infância, trabalhar com esforço e esmero.
Quando desenhei minhas primeiras letras no papel acompanhava-me uma alegria genuína. A mão forçava a delicadeza. Os traços subiam e desciam obedecendo algum ideal procurado fora da margem do papel.
A letra de outro? Ou a letra imaginada perfeita? Pouco importa. A vontade e o entusiasmo carregavam a marca da repetição.
Cadernos de caligrafias.
Frases prontas e ligeiras, as primeiras:
Vivi viu a uva.
Frase jamais esquecida, embora sem sentido especial.
Vogais e consoantes repetidas. A consoante V soando forte unia as vogais.
A folha nascida da árvore recebia a mão pequena da menina.
Depois, a única repetição foi o desejo da escrita.
Escrita a mão.
Mesmo quando escrevo nas teclas negras, vislumbro os desenhos e as  bordas das letras que surgem no branco da tela.
Minhas letras têm raízes!


Rio, 25 de fevereiro de 2013.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Parc MontSouris - outono de 2009





                                             (fotos de José Eduardo Barros)

Créé sous l'impulsion de Napoléon III, le projet fut confié au baron Haussmann. L'empereur voulait alors doter d'un espace vert chacun des points cardinaux de Paris, ce qu'il réalisa, mais après la chute du second Empire.


C'est à l'ingénieur Alphand que fut confié ce vaste projet qui donna naissance à un jardin à l'anglaise de 15 hectares. Il garde encore aujourd'hui les marques de son passé par ses forts dénivelés.


En créant le parc Montsouris, Napoléon III voulait s'inspirer des parcs londoniens. Les espaces verts y jouaient un rôle d'importance; ils étaient considérés comme des lieux de rencontre où se mêlaient toutes les classes sociales, une vision très moderne qui prévaut encore et plus que jamais aujourd'hui.


Le second Empire connut ainsi une vague de création de grands parcs, dont le parc Montsouris, mais aussi le parc des Buttes-Chaumont et le Jardin des Serres d'Auteuil, qui en sont les exemples les plus réussis.


Cette vague s'inscrivait dans le programme ambitieux des grands travaux d'embellissement et d'assainissement du baron Haussmann, Préfet de la Seine. 


                                    Foto

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

Nota sobre Bento XVI

A demissão do papa Bento XVI, um gesto de nosso tempo?

Benoît XVI, conforme é chamado na França, é conhecido entre os que lhe são mais próximos como um homem que escreve e que gosta de fazer livros.
Provavelmente, ainda retornará a este ofício.
Mas, ficará conhecido por sua coragem e simplicidade ao fazer uma escolha humana!
Ficheiro:Benedykt XVI (2010-10-17) 4.jpg
Papa Benedetto XVI

domingo, 10 de fevereiro de 2013

Livro, de Michel Melot





Livro, de Michel Melot

O impressionante trabalho de Michel Melot em Livro, que a Ateliê editorial publicou em 2012 nos dá a dimensão da história da feitura de um livro, desde a sua primeira dobra, desdobrada em minuciosos detalhes que remontam à Idade Média e antes ainda quando os rolos e os pergaminhos davam lugar à escrita percorrendo também certa linhagem, a partir da oralidade e da necessidade de se dar um lugar, materializado, ao que era dito e memorizado ao longo do tempo.
Por ser um bibliófilo, o escritor Melot discorre neste trabalho sobretudo sobre uma história do livro guardando um  lugar especial às diferenças entre a Bíblia, a Torá e o Corão. E tendo o cuidado de dar ao leitor explicações preciosas sobre os livros considerados sagrados diz:

“A escrita, presente de Deus à humanidade, adere a seu suporte. A Torá guarda alguns princípios ativos deste empréstimo da escrita sobre um suporte pesado. Mesmo não sendo o rolo motivo de adoração, mas a inscrição que ele guarda, esta inscrição tem todas as características de um objeto de culto: ‘As letras hebraicas foram, no início de nossa era, consideradas como santificadas. Os textos em caracteres hebraicos não podiam ser destruídos, eles eram enterrados.’” (p.40)
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“ As três religiões do Livro apresentam, então, concepções bem distintas. Entre os judeus, a escrita é sagrada; entre os muçulmanos , o texto é sagrado; e, entre os cristãos, nem a escrita, nem o texto são sagrados.” (p.43)
   
Em nove capítulos o autor constrói seus títulos poéticos: “1. E o Verbo se Fez Livro”, “2. Assim Pensa a Dobra”, “6. No País da Página”, “9. A Carne e o Fim” são alguns deles, onde as maiúsculas destacadas ressaltam o lugar da materialidade da “letra”.
Faz tempo que não encontro uma publicação sobre o livro que me interesse tanto. O objeto Livro, bem merece um lugar junto aos livros de arte de nossas estantes. No manuseio encontramos um papel de bom toque e as fotos de Nicolas Taffin, que enriquecem o trabalho de Melot nesse texto e nos oferecem outra respiração diante das imagens sensuais em páginas semiabertas de luz ou costuradas com fissuras; que mais parecem a intimidade do corpo de uma mulher.
“A composição da página manuscrita possui uma grande riqueza semântica, pois a página, a pena e o caderno oferecem múltiplas nuances à alma do texto, apêndices e signos de reconhecimento. Foi nesse sentido que o livro acolheu a imagem. A imagem chegou ao livro na bagagem da escrita. E não adentrou o livro apenas sob a forma de “ilustração” – termo vago que merece hoje uma definição mais precisa – mas sob a forma de baliza. As balizas são signos não fonéticos destinados a estruturar o texto e marcar o fluxo do pensamento”. (p.80)

A tradução de Marisa Midori Deaecto e Valéria Guimarães contribui para uma leitura fiel e delicada. Plínio Martins Filho, editor e, aqui também, revisor, nos presenteia com esta tradução. Há o espaço da Bibliografia erudita e o do Índice das fotografias, além dos Prefácios de Régis Debray e de Midori.
Merci!

Rio de Janeiro, 10 de fevereiro de 2012.

Nota:
este livro contou com o apoio da embaixada da França no Brasil, e foi publicado no âmbito do Programa Carlos Drummond de Andrade da Mediateca da Maison de France.