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domingo, 10 de fevereiro de 2013

Livro, de Michel Melot





Livro, de Michel Melot

O impressionante trabalho de Michel Melot em Livro, que a Ateliê editorial publicou em 2012 nos dá a dimensão da história da feitura de um livro, desde a sua primeira dobra, desdobrada em minuciosos detalhes que remontam à Idade Média e antes ainda quando os rolos e os pergaminhos davam lugar à escrita percorrendo também certa linhagem, a partir da oralidade e da necessidade de se dar um lugar, materializado, ao que era dito e memorizado ao longo do tempo.
Por ser um bibliófilo, o escritor Melot discorre neste trabalho sobretudo sobre uma história do livro guardando um  lugar especial às diferenças entre a Bíblia, a Torá e o Corão. E tendo o cuidado de dar ao leitor explicações preciosas sobre os livros considerados sagrados diz:

“A escrita, presente de Deus à humanidade, adere a seu suporte. A Torá guarda alguns princípios ativos deste empréstimo da escrita sobre um suporte pesado. Mesmo não sendo o rolo motivo de adoração, mas a inscrição que ele guarda, esta inscrição tem todas as características de um objeto de culto: ‘As letras hebraicas foram, no início de nossa era, consideradas como santificadas. Os textos em caracteres hebraicos não podiam ser destruídos, eles eram enterrados.’” (p.40)
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“ As três religiões do Livro apresentam, então, concepções bem distintas. Entre os judeus, a escrita é sagrada; entre os muçulmanos , o texto é sagrado; e, entre os cristãos, nem a escrita, nem o texto são sagrados.” (p.43)
   
Em nove capítulos o autor constrói seus títulos poéticos: “1. E o Verbo se Fez Livro”, “2. Assim Pensa a Dobra”, “6. No País da Página”, “9. A Carne e o Fim” são alguns deles, onde as maiúsculas destacadas ressaltam o lugar da materialidade da “letra”.
Faz tempo que não encontro uma publicação sobre o livro que me interesse tanto. O objeto Livro, bem merece um lugar junto aos livros de arte de nossas estantes. No manuseio encontramos um papel de bom toque e as fotos de Nicolas Taffin, que enriquecem o trabalho de Melot nesse texto e nos oferecem outra respiração diante das imagens sensuais em páginas semiabertas de luz ou costuradas com fissuras; que mais parecem a intimidade do corpo de uma mulher.
“A composição da página manuscrita possui uma grande riqueza semântica, pois a página, a pena e o caderno oferecem múltiplas nuances à alma do texto, apêndices e signos de reconhecimento. Foi nesse sentido que o livro acolheu a imagem. A imagem chegou ao livro na bagagem da escrita. E não adentrou o livro apenas sob a forma de “ilustração” – termo vago que merece hoje uma definição mais precisa – mas sob a forma de baliza. As balizas são signos não fonéticos destinados a estruturar o texto e marcar o fluxo do pensamento”. (p.80)

A tradução de Marisa Midori Deaecto e Valéria Guimarães contribui para uma leitura fiel e delicada. Plínio Martins Filho, editor e, aqui também, revisor, nos presenteia com esta tradução. Há o espaço da Bibliografia erudita e o do Índice das fotografias, além dos Prefácios de Régis Debray e de Midori.
Merci!

Rio de Janeiro, 10 de fevereiro de 2012.

Nota:
este livro contou com o apoio da embaixada da França no Brasil, e foi publicado no âmbito do Programa Carlos Drummond de Andrade da Mediateca da Maison de France.

Um comentário:

  1. CAIXA DE PANDORA
    Quando criança
    Eu falava com os anjos
    Enxergava o mundo
    Com os olhos da Inocência.
    Cresci, tornei-me um homem
    Cheio de idéias, metas e planos
    Abri minha caixa de Pandora
    E só encontrei o engano
    Revoltado e sem esperança, lancei-a ao mar
    Junto coma a minha frustração
    Que calada não se manifestou
    E agora, o que fazer?
    O passado sepultei,
    O presente neguei,
    O que dirá o meu futuro?
    Arrependido, voltei ao penhasco
    Ofegante, a caixa procurei
    Por um momento, desesperançoso, orei.
    O que eu desejava não acontenceu
    Mas uma resposta um anjo me deu:
    Revelou-me que sem lutar
    Um homem derrotado se torna.
    Sem objetivos e sem sonhos:
    Sua vida é vazia de glórias.

    *Agamenon Troyan

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