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domingo, 24 de março de 2013

Poema do livro Estrangeira


No metrô
O homem de olhar oblíquo não dissimula nada. O inverno havia terminado em Paris. As flores nos canteiros dos parques davam sinais de claridade. Os jardineiros habituados em plantá-las agem rápido, e vestem nossos olhares.
No vagão do metrô, um senhor de alguma idade e nenhum banho incomoda imenso. Os passageiros descem tropeçando na primeira estação tão logo a porta se abre. Alguns jovens destemidos tapam o nariz ao entrar. Ninguém fica impune neste vagão de metrô. O cheiro de um homem invade narinas, olhos, bocas...
Ele veste calças rasgadas de tecido grosso, o suficiente. Na mistura dos cheiros exala o suor antigo. Um raro odor brota de seu corpo imenso.
Na língua estrangeira expressa palavras roucas, e diz que é um homem que não faz mal a ninguém.

(Ainda pude perceber a cor das unhas).

O homem de olhar oblíquo nada dissimula?




OBS:
Publicado pela primeira vez no Portal Cronópios, e, depois no livro Estrangeira ed. 7Letras, 2010.

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