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quinta-feira, 30 de maio de 2013

Françoise Hardy et Jacques Dutronc - Puisque vous partez en voyage

Berlim, verão de 2011

                                           
                                           Caminhar, caminhar:

                                           Sentir-se atravessado pelos trilhos do trem.
                                           Bicicletas inúmeras. Coloridos jovens.
                                           Museus e andaimes ao redor.

                                           Caminhar sem sentir o tempo.
                                           Respirar o sol.

                                           Berlim!
                                           Berlim não mais
                                           em pedaços...  
                                       


sábado, 25 de maio de 2013

Experiências de Tradução III - Mediateca da Maison de France (24.05.2013)




                                                  Solange Rebuzzi e Johannes Krestchmer
                                                                                                   

                                                  Émilie Audigier (à esquerda )

quinta-feira, 23 de maio de 2013

Homenagem a Francis Ponge






                                           Em 1986, Francis Ponge e sua esposa Odette.
                                       (fotos recolhidas no facebook do historiador e escritor Pascal Blanchard)
                                         

Clique no link abaixo

http://www.pileface.com/sollers/article.php3?id_article=432#section13

(retirado do site do escritor Philippe Sollers, a quem agradeço imensamente)


domingo, 19 de maio de 2013

Homenagem a Geraldo Vandré (45 anos depois!!!)



"Pra não dizer que não falei das flores" - Canção símbolo de nossa juventude em 1968.

sexta-feira, 17 de maio de 2013



Imagem recolhida do livro de Edmond Jabès La mémoire et la main. Fata Morgana, 1987.
Desenho de Eduardo Chillida

Mãos


Mãos

                                                                                       Solange Rebuzzi


Você conhece estas alegrias: apalpar o bojo generoso de um vaso e acariciar seu pescoço grácil, depois explorar as sutilezas do seu perfil. Com as mãos enterradas nos bolsos e os olhos semicerrados, deixar-se docemente embebedar pela fantasia dos esmaltes, o brilho dos amarelos, o veludoso dos azuis; entregar-se à luta movimentada das massas pretas brutais e dos elementos brancos vitoriosos...[1]
                                                                      (Le Corbusier, A viagem do oriente p. 17)



Escrever é uma luta travada com as palavras que pulsam de um lugar distante e tardio. Um rasgo de detalhes vividos e superados ou não, que insistem na aparência um tanto rugosa de palavras que nos habitam.
No trabalho com a escuta e a escrita, um escritor compõe, com as mãos, um caminho intraduzível. Fruto, talvez, de uma procura ou mesmo de um laço de trabalho que a escrita dá a ver, com sinais gráficos e espaços em branco, na respiração do texto poético. A busca de alguma memória, e talvez de um tempo desaparecido, faz a ponte do imaginário quetoca” o simbólico e o real ao se escrever. Real que nunca conseguirá ser explicitado de todo, pois é da ordem da experiência
Forçar a mão desenhando o escuro sobre o claro, destacando o que salta aos olhos no momento da leitura, e com os dedos dobrados em forma e volume de envoltório complexo, reduzido à geometria de uma curvatura envolvente, formar a conversa com o pensamento: “gosto de pegar o pensamento com as mãos”.[2]
Com as mãos, arredondar o texto ou deixá-lo com arestas. Firmar e sustentar o fio que entrelaça histórias. Cortar e suspender o ponto. Superá-lo. Interrogá-lo ou apontá-lo na interjeição. Supostamente, reconhecer que é preciso abrir o verbo sem meter mesura, e destacar o déjà lu se for o caso.
Da palma de minha mão aberta, consigo considerar o alto dos montes, bem próximo aos dedos polegar e indicador, como os mais elevados caminhos. A energia dos dedos, que agora movem teclas em conversas por e-mail, lavra, há algum tempo, com livros e folhas. Tanto quanto trabalha com a poeira da casa em lugares inesperados, pois as mãos que fazem a limpeza até de plantas, distinguem momentos de trocas espontâneas e experimentam também escrever com decisão e constatação alarmada diante do caos do mundo.
Nossas mãos e nossos pés nas pontas de nossos corpos atravessam o tempo da vida conhecendo texturas e acompanhando formas estranhas. De fato, podemos sentir com a mão o que não experimentamos com a boca. Às vezes, até dizer de um cheiro ou de um sabor com o toque. Transmitimos com os dedos das mãos nossos mais desconhecidos sonhos e pesadelos.

Escrever...
o quê?
E
por quê ?

A partir de nossa escrita, percebemos nossas mudanças?

A mão assim como o envelhece.
A escrita pode permanecer firme. Eretas, as letras cavalgam. Abrem trilhas. Mudam caminhos.
    
“As palavras são mais velhas que nós e o texto não tem idade.”[3]
                                                                                    (Edmond Jabès)


Mãos se enfurecem
não se abandonam,
viajam com o corpo de alto a baixo.
Degolam.
Formam a linha e os encantamentos da geometria.
Dormem.
Morrem.

E a voz? (para onde ela vai?)
:
a voz do escrito sussurra pedaços de histórias     e alguns enxertos de textos lidos.
A voz    
negocia com pessoas distantes e lugares            nunca vistos.
Alcança as pedras encobertas do limo.               
Âncora do tempo.                    Compõe com alguma farsa.
 
“Com as mãos enterradas nos bolsos e os olhos semicerrados”, Le Corbusier construiu imagens sinestésicas que capturam. Na voz de seu texto, ruídos de um tempo. Retomo o volume e a forma de um “vaso de pescoço grácil” para levá-los ao encontro do “real que formiga de ocos”[4] (Lacan)[5]: o oco de um vaso que diz do vazio. A escrita do real se faz presença corpórea no texto, e não somente nas palavras que a mão desenha e abre. O vaso de Le Corbusier carrega o vazio.
Lacan no seminário da Ética se detém no fato de que “o homem é o artesão de seus suportes”.[6] O interesse, de fato, nos parece colocar a questão da criação naquilo que o homem realiza com as mãos e que no emprego do vaso, este utensílio primeiro modelado pelas suas mãos, estabelece na sua “forma encarnada” o que vai caracterizá-lo.     
Seguramente, o arquiteto-escritor Le Corbusier corrobora em carta ao amigo Perrin, quase em forma de diário, o tom de um prazer que lhe tomou os vasos rústicos de cerâmica popular. Ele estava em viagem ao Oriente e chegara a Budapeste, em um sótão coberto de poeira.  Mas, algo fica fora do movimento das mãos. 

A arte do camponês é uma impressionante criação de sensualismo estético. Se a arte se eleva acima das ciências, é precisamente porque ela excita, contra estas, a sensualidade, despertando profundos ecos no ser físico. Ela dá ao corpo – ao animal – sua parte justa e sabe elevar depois, sobre essa base sadia, própria à expansão da alegria, as mais nobres colunas.
                                                      (Le Corbusier. A viagem do oriente, p. 19)
  
Os dedos dos oleiros seguem uma tradição secular, o que não passa despercebido ao arquiteto. E podemos lembrar que “Os verdadeiros pensamentos nascem no toque”[7] conforme nos esclarece Novarina. As cerâmicas, em grandes quantidades, e espalhadas pelo chão foram encontradas bem próximas da cidadezinha de Baja, na vizinhança de  Budapeste, descendo o rio Danúbio. O oleiro que cria o vaso em torno do “vazio com sua mão, o cria assim como o criador mítico, ex nihilo, a partir do furo”.[8]
               Na cena descrita de algumas aldeias danubianas, vê-se também que com a mão inchada no trabalho da argila, o homem gesticulava. As mulheres vestiam-se de cores e cheiravam a flores exuberantes. Contra os muros brancos pareciam destacadas. Cito:

(...) as pernas nervosas e os pés nus são de uma pele fina e morena; as mulheres movem-se com um balanço dos quadris que se propaga, como na saia de uma bailarina indiana, nas mil pregas dos vestidos curtos onde as flores de seda emitem chamas de ouro sob o sol.
                                                             (Le Corbusier. A viagem do oriente, p. 27)

As pernas sob as pregas dos vestidos flutuam. Flores azuis despem o dia, agora, enfeitado de jardim. E, Le Corbusier entende na cena escritural algo mais que uma descrição, como se o corpo embebido no gesto se deixasse tomar de alguma coisa e seguisse melhor estruturado. Talvez, possamos mesmo dizer que o oleiro finaliza o seu trabalho afirmando que está bom.[9]
Retomo Novarina para dizer que “não há pensamento fora dessa retenção respiratória que só a mão pode praticar. Uma marcha lenta de nado lento. Um desenrolar travessal, transversal, um respiramento por onde se vai tocar palavras até dentro da terra. O órgão da língua é a mão”.[10] 



Saltamos.
Outro tempo:

Contornar os gestos de argila, girar os olhos.
Nas paredes quentes das casas pobres de algumas regiões do Amazonas, terra batida no chão. Consigo dizer dos tons de algumas redes dependuradas. Múltiplas e inchadas parecem panos no varal: amarelos, verdes, em xadrez de branco confundem a visão. Desbotadas do sabão. Encardidas.
Nãoapenas as casas. Há o céu que apaga a lua por detrás de uma chuva imensa. Inverno. O ar frisado lança uma brisa parada. Existem recantos onde o rio faz sua cheia. No Alto do Jauaperi dormimos durante duas noites com o barco encostado na borda do rio. A água pode subir até muito próximo do portão da igreja e do cemitério, na cidade mais próxima. , dormem cabeças e mais cabeças de uma mesma família esticadas e imersas no sono de respiração escura.

No canto interno da maloca, consigo vislumbrar um curumim. Ele olha para os dedos da mão direita onde acomoda uma borboleta. Asas amarelas. Brinca com o inseto que não se move. Do lado de fora, um enorme tacho de ferro esquenta e torra a farinha ainda crua. Os molejos dos braços acompanham o corpo jovem de um caboclo que estica e encolhe o rodo feito pelas mãos do homem. Os pés grandes se mexem rápido permitindo o alongamento de um corpo de músculos sem pelos. Pingos de suor. No calor o corpo trabalha. Cabelos lisos. Os olhos traçam a linha acomodada no ângulo reto das orelhas de uma extremidade a outra. Escondem um pedaço de sorriso.
O pote d’água – de barro – está colocado próximo da porta dos fundos, coberto com um pano quase branco. Percebe-se a cuia emborcada que dá de beber. Está apoiada no prato. Aqui a sede acontece em muitos momentos. A comunhão é feita pelas batidas do sol na pele.

**
Rememoro palavras do poeta Paul Celan que conseguiu visualizar no aperto de mão o gesto que a poesia nos doa. [11]
Nas mãos encontramos as estradas e os afetos.
Definitivamente nas pontas de nossos dedos estão os filamentos nervosos, que alcançam objetosentre eles –, os lápis e/ou as canetas que se estendem por nosso braço como uma ponta a escrever o desejo
Nós experimentamos escrever e escrevemos o que não cessa de não se escrever. Desde sempre, melancolicamente, permanecemos nas voltas de um lugar
p e r d i d o.       

Recentemente o poeta Christian Prigent, em entrevista ao psicanalista Hervé Castanet, expressou-se declarando que escrever ensina a desilusão e os limites do saber. Sobretudo, ensina o reconhecimento do “não saber”. Possivelmente por prudência, podemos escutá-lo dizer, inclusive, que mesmo se insistimos em responder alguma coisa sobre o escrever, podemos dizer o que nos faz escrever, ou seja:
ao escrever, só posso dizer: “o-que-me-faz-escrever”. 






 Obs: Texto apresentado na jornada da Escola Letra Freudiana em 2007.
          Uma parte pequena deste texto está no livro Estrangeira, 7Letras, 2010.












[1] Trecho recolhido a partir de uma carta enviada por Le Corbusier ao amigo Perrin. 
[2] NOVARINA, Valère. Diante da palavra. Ed.7Letras. Rio de Janeirop. 36.
[3] JABÈS, Edmond. La mémoires des mots. Fourbis. 1990, p. 15.  Jabès diz que: “interrogar um escritor é interrogar, de início, as palavras de sua memória, as palavras de seu silêncio, se fincar no seu passado de vocábulos”.  
[4] LACAN, Jacques. Seminário da Angústia. Lição de 8 de maio de 1963, p. 226.
[5] Neste texto Lacan lembra a importância das primeiras cerâmicas, e percebe que os potes traduzem a relação do homem ao objeto e ao desejo (“aí inteiramente sensível e sobrevivente”), p. 226.
[6] LACAN, Jacques. Seminário 7. A ética da psicanálise, p. 150.
[7] NOVARINA, Valère. Diante da palavra, Op.cit, p. 36.
[8] Lacan, Jacques. Seminário 7. Op. cit, p. 153.
[9] Podemos aqui recuperar a materialidade do “gesto” que a poesia nos dá. Há um momento que temos que deixar a obra partir, sem certezas.
[10] NOVARINA, Valère. Diante da palavra. Op.cit, p. 36.
[11] Na poesia de Celan há muito do corpo. Ele afirmava o poema também como uma espécie de “impressão digital” com a qual imprimia sua marca, impressão direta do corpo e da mão sobre o papel. CAMBON, Fernand. Paul Celan ou la passion du réel, Revue Europe. Paris, 2001. p. 114.

sábado, 11 de maio de 2013





Experiências de Tradução III


A Universidade Federal Fluminense, departamento de Letras Estrangeiras Modernas, e a Mediateca da Maison de France convidam para o terceiro seminário “Experiências de tradução”

Coordenadoras:
Maria Elizabeth Chaves de Mello (UFF/ Faperj/CNPq)
Solange Rebuzzi (UFF/ Faperj)

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sexta, 24 de maio de 2013


SEMINARIO

9h30 Abertura  -
Marion Loire, diretora da Mediateca e do Bureau du Livre.
Maria Elizabeth Chaves de Mello – UFF – CNPq/FAPERJ
Sílvio Renato Jorge – coordenador do programa de pós-graduação em estudos da literatura da UFF – CNPq

10h00 – 11h30
Karl Erik Schöllhammer – Puc-Rio/CNPq
“Uma palavra de diferença – uma experiência de tradução de Henrik Ibsen”

11h30- 13h00
Solange Vereza – UFF
“A tradução como metáfora e as metáforas na tradução”
Emilie Audigier – UFSC
« Les traducteurs français de Machado de Assis et leurs bibliothèques imaginaires »  

Coordenação – Maria Elizabeth Chaves de Mello

13h00 – 14h30
Intervalo de almoço


14h30-16h00
Vera Lins – UFRJ /CNPq
“Ingeborg Bachmann, da poesia ao ensaio”
Johannes  Krestchmer – UFF
“O escritor e seu tradutor”

Coordenação – Solange Rebuzzi

16h00 -17h30
Paula Glenadel – UFF/CNPq
“Tradução é poesia”
Solange Rebuzzi – UFF/ Faperj
“Francis Ponge de Nioque antes da primavera

Coordenação – Maria Elizabeth Chaves de Mello

Encerramento

segunda-feira, 6 de maio de 2013

Crônica da cidade


Alto Leblon... à luz de velas

Rio, 6 de maio de 2013

Ainda que a vida se apresente em nuances, quero crer que este dia singular se descortinou a partir da tempestade de um outono e seguiu à luz de velas como se fosse um tempo carregado de intervalos lentos em claro-escuro.
Ontem, na infância em Manaus, meu pai ligava o motor a óleo diesel e a luz surgia rápido naquelas noites quentes. Mas, hoje, sem a presença que garanta a luz, sinto-me entregue à obra do metro e ao governo que pensa estar abrindo a cidade a novos rumos e, em movimento oposto, nos coloca diante de buracos e obstáculos impensados para uma cidade grande já tão cheia de questões.
Mas, a razão desta crônica, pouco iluminada, é denunciar a ganância de nosso governo que está sempre interessado em eventos e mais eventos, e se mostra cego e com inúmeras dificuldades para dar conta das muitas situações inesperadas que presenciamos com sustos mais inesperados ainda, ou mesmo de forma traumática como tem sido visível a todos:
                                      Atropelamentos e mortes de ciclistas
Habituados à arte de pedalar a vida

No escuro de minha sala, acomodada junto a duas velas brancas, confiro o meu desejo e escrevo para GRITAR a surpresa desta falta de luz,
associando-a aos horrores que venho presenciando na nossa cidade:
Bandidos
Em ônibus ou vans
Matam
Roubam
Estupram mulheres                 

Ninguém viu?
Ninguém VÊ?!
Nem sei o que dizer das horas
(estamos sem luz desde as 8h00 da manhã e já são quase 18h00)!

Falta LUZ!
Repito Goethe.
“Luz, mais luz!”

em muitos sentidos.

domingo, 5 de maio de 2013

Congonhas do Campo - Minas Gerais (2007)


                                          Obras do artista Aleijadinho nas imagens fotografadas.