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sexta-feira, 30 de agosto de 2013

Gradiva verão, de Solange Rebuzzi  (Lumme editor, 2013)


Cada vez é uma vez, cada livro é um livro, repete Solange Rebuzzi. Agora, o livro Gradiva marca alguns limites do íntimo, mesmo se Gradiva caminha ao longo da História.
O livro, cada livro, é um exercício de escrita e reflexão. E um exercício de lucidez, algumas vezes. Ela – a nossa Gradiva – aquela que caminha pelas ruas da cidade (Rio, São Paulo, Nova Iorque, Tel Aviv, Hong-Hong, Atenas, todas as cidades) é a mesma que caminha nas páginas de Jensen, Freud, e outros tantos seduzidos por ela.    


[A personagem pode ser uma jovem mulher que
caminha seu passo, qual Gradiva, a jovem
que caminhava em Pompéia em 79 d.C.
Não havia tempo de pensar no corpo. Havia
o corpo. Havia tempo.
Meus pés, agora um pouco distanciados do chão,
procuram outro ângulo.
Deslizo na cadeira com as mãos já mais cansadas
dessas teclas que pedem muito.
Os pés de Gradiva não se cansam.
Ela desliza suas vestes pelas ruas de Pompéia.]


O pequeno livro traz desenho de Francisco dos Santos.


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quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Ataque químico em Damas

                                                       Manchete de hoje no jornal francês Le Monde

Fragmento de notícia da internet:
Segundo as fontes da oposição, centenas de pessoas morreram por terem inalado gás e ficado expostas às armas químicas.
Em vídeos postados no YouTube é possível ver crianças recebendo os primeiros socorros em um hospital de campanha, principalmente oxigênio para ajudá-las a respirar. Médicos aparecem tentando ressuscitar crianças inconscientes que não mostram ferimentos visíveis.

sábado, 17 de agosto de 2013

Brasil - Egito 1


Oscilamos no caos de cada dia.

Enquanto o Egito afunda nas centenas e centenas de mortes diárias, diante da loucura e incoerência de um País que pretendia viver de mudanças criativas e sensatas, o Brasil esconde seus assassinos, e os dirigentes não mostram a face e nem dão explicações plausíveis ao seu povo. Digo, mais especialmente, na cidade do Rio de Janeiro.
- Onde está o Amarildo?
A pergunta circula sem resposta, embora todos já saibam.
Ainda vivemos sob a égide do medo, e, assim como em alguns países do mundo, desejamos eliminar o que nos incomoda fazendo crer que há inimigos por todo lado. Mas, se continuarmos vivendo desta forma, vamos reproduzir o mesmo. Manipulados por alguns, não cresceremos nunca e não conseguiremos construir um mundo digno de nós mesmos.
Novas perguntas nascem em nosso dia a dia constrangido:
- Onde estão todos os outros desparecidos em ações ditas de segurança?
- Onde estão os ladrões que roubam nossa esperança de um Brasil honesto?
- Onde vamos parar em meio a tantos políticos sem caráter?
A memória é nossa aliada, e o jornalismo sério que pretenda pensar o nosso tempo deve ser também. Começam a circular alguns textos e pensamentos sobre o que vivemos agora, mas ainda há uma tendência a encobrir os fatos. E, muitos escondem a cabeça na mesmice das notícias que não nos importam para nada.
No caos podemos aprender muito, devemos nos motivar. Na violência não aprendemos nada!
- Onde está o Amarildo?


Rio de Janeiro, manhã de 17 de agosto de 2013.

quinta-feira, 15 de agosto de 2013

Brasil-Egito 2

Um aperto de mão
                                                                     para Edmond Jabès


As mãos que matam são as mesmas que afagam?
Enfiadas nos bolsos as mãos estão separadas.
Guardadas na memória elas caminham juntas.

Marcadas pelas rugas do tempo de forma impiedosa
nos tocam a infância, mesmo quando foram impeditivas
e ruidosas as mãos são lugar de cuidados e delicadezas.

Mas,
as mãos que matam não são reconhecidas facilmente.
Transitam entre nós... silenciosas.

Arrancam a respiração humana de repente,
e seguem na distância do olvidado.
As mãos que matam são as mesmas que afagam?


Rio de Janeiro, 15 de agosto de 2013.


Foto retirada do jornal O Globo de hoje.


quarta-feira, 7 de agosto de 2013

Um corpo que cai - (poema escrito em 2011)

Um corpo que cai





Rio de Janeiro:

Calor escaldante.

Um corpo. Muitos.

Areias. 

Em todo verão a graça e a harmonia ocupam um lugar

De coisa bem preciosa.


A polícia cai.

Rigorosas amputações.

Necessárias.

As favelas mudam ?



Cairo:

Inverno. Cobertores na Praça Tahrir.

Muitos corpos. Força. 

Camelos. Espadas.

A política cai. 



Tunis:

Jovens para todos os lados.

Celulares a bordo.

O que de fato cai a partir das imagens

Impostas ao mundo pelos jovens da Tunísia ?



Paris:

Repercutiram muito mal 

as férias da Madame das Relações Exteriores.

M. Sarkô finge que não vê.

Cairá? 

Cairão?



Amazonas:

Quantas árvores caem a cada minuto do dia?

No verde ininterrupto

Somam-se as horas

Das cheias dos rios do Amazonas

Diminuídas das temporadas de pesca.






                                                      Rio de Janeiro, 17/02/2011.

terça-feira, 6 de agosto de 2013

Ficção carioca?

Ficção carioca
                                                   (Rio, outubro de 2008)


(1)
Novembro de 1995.

Um jovem, 17 anos, morador de uma favela carioca, levou alguns tiros. Não só nas pernas. Naquele dia, namorava no muro.  
Sua mãe enlouqueceu.



(2)
Setembro de 1996.

Um jovem, 20 anos, da classe média, levou um tiro na cabeça. Descia a ladeira de uma favela do Rio.
Dizem que fora comprar maconha antes de ir a um show.



(3)
Julho de 2005.

Um outro jovem, 19 anos, irmão daquele primeiro jovem baleado e morto, foi atingido nas pernas.
Demasiada polícia demasiada.
Demasiada miséria.



(4)
Janeiro de 2006.

A mãe destes dois jovens entrou para uma igreja. Agora, ela é nomeada “irmã”.



(5)
Agosto de 1998.

A mãe do jovem de classe média, vencida, perdeu mais um filho.



(6)
Quando foi?
Uma menina de 16 anos foi atingida
na cabeça por uma bala perdida,
ao sair do metrô.
Demasiada polícia.
Demasiada miséria demasiada.
Acontece que perdemos algo sem saber onde nem quando.
Os olhos dobrados desconhecem os fatos.
Por quê?



(7)
Um homem e uma mulher assinaram um pacto
de resistência sem data.
Pouco tempo depois, adotaram uma criança de 2 anos. Origem desconhecida.

Alguns jovens criam suas próprias lendas.
Assim, eles pensam que movem as camadas das circunstâncias que impedem o caminho.  


(*)
Algumas mulheres carregam na face a burka que a sociedade lhes exige.
Outras experimentam fazer apenas a vontade do “mestre”.
As mártires adotam uma posição de mártir.
As que vestem a burka desaprendem o sorriso.


(**)
O essencial, ela disse, depois de alguns instantes,
é suportar.
O caminho aponta a lógica possível?
Na cena carioca névoa.


(***)
Com os primeiros sinais da primavera, alguns vasos de flores despontam sua energia na forma vertical.
As mãos não mais fechadas transportam algo. O corpo na paisa-
gem carrega as pregas e os espasmos musculares.

Não parar! Repito.
A caminhada fixa o ritmo. As coisas chegam e partem. As coisas em excesso.
A xícara de café transborda.
A marcha no ritmo dos versos não pode parar.

Procuro as raízes das palavras.
Alimento algumas ilusões.

O tempo e a repetição
o mais doloroso.                                                                                  




PS: publicado pela primeira vez no Portal Cronópios: www.cronopios.com.br




sexta-feira, 2 de agosto de 2013

Herança da ditadura?

Todos perguntam:
- Onde está o pedreiro Amarildo?
Desaparecido, nas mãos da polícia, há vários dias. Não há nenhum sinal de seu paradeiro, desde então.
No mínimo, precisamos prestar atenção ao que, de fato, está sendo indagado. Não estaria esta pergunta contendo muitos outros "desaparecidos" e, supostamente, considerados mortos da mesma maneira? 

Estamos, hoje, começando a fazer as perguntas necessárias e que não foram feitas há tempos.