fotos de arquivo

terça-feira, 28 de janeiro de 2014


Estação de trem Barros Filho, no Rio de Janeiro.


Aconteceu hoje.

Ela chegou atrasada e encalorada. Não é pra menos, pois já eram quase 10.00 hs da manhã e ela estava na rua, tentando chegar ao trabalho, desde bem cedo.

Conta com graça a luta que foi entrar no trem, já que se tivesse vindo de ônibus chegaria mais tarde ainda.

- Passaram dois trens tão cheios que eu não pude entrar. No terceiro, decidi entrar de qualquer jeito senão só chegaria aqui por volta das 11 horas da manhã. Entrei praticamente carregada pela multidão, que entrou atrás de mim. E como não tinha onde segurar, fiquei em pé mesmo, espremida, e sendo empurrada pra frente e pra trás, enquanto o trem andava. Se a senhora não se importar, vou tomar um banho antes de começar a limpeza.

- O Ar condicionado do trem, não dava vazão pra tanta gente, esclareceu. Cada vez que a porta abria, nas estações seguintes, entrava um bafo quente daqueles.

Costuro o texto com as informações abaixo, encontradas na internet:

A estação de Barros Filho, cujo nome homenageava o filho do fazendeiro que cedeu terras de sua fazenda Boa Esperança, Antonio da Costa Barros, para a construção da linha, foi inaugurada em 1908.



E,

decido colocar a foto onde a senhora “guerreira” aguarda o seu trem.

Sem tom de melancolia reflito: como deixamos as coisas chegarem a este ponto?

Senhores governantes, seria possível sugerir a algum dos senhores que fossem até esta tal Estação e fizessem o percurso diário que tantos trabalhadores fazem? Afinal, estamos em 2014.


Fico pensando que a linha inaugurada em 1908 continua igual. Entre os trens, no que também me foi dito, há um mais velho que anda mais vazio um pouco mas que está tão cheio de buracos no chão que é possível viajar e observar a linha férrea ao longo do caminho.

  


Rio de Janeiro, verão de 2014!

sábado, 25 de janeiro de 2014

Poema do novo livro Outonos - no prelo


Poema para uma gata

                                         a Jacques Roubaud

 
Aos animais é dada a morte bem cedo.

Aos gatos que escovamos e observamos os olhos se fecharem, aos cães, pequeninos, os que carregamos como a um filho, damos alimento, proteção.

Na vida, os bichos gemem, comem. Dormem. E nos observam. Andam junto ao assoalho. Conhecem os cheiros, as sombras.

Os olhos vazam nossos ossos. Saboreiam intimidades.

Duque gostava das torradas que meu pai lhe lançava todas as tardes.

Coringa corria solto nas noites quentes de Manaus até a casa silenciar.

 

Quando um animal morre, enterra-se.

Na escrita um pelo se instala.

E na história da Gata Mostarda, que escovávamos quase todos os dias,
um cão de raça pequenina e amiga surge rente ao chão.

Sentada no Limbo a observar de bem longe, ela bebe em silêncio nossos segredos íntimos.

Quando somos gata, não somos cão.

Os olhos vazam nossos olhos.

Gemem. Comem. Dormem. Perseguem cheiros.         

Quando somos cão, não somos gata.

 
 
       Foto de José Eduardo Barros em Nova York em 1996.
 
 
 

segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

Caderno de viagem


 
 

                                          Colagens diversas em um único caderno.

sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

Rio tarumã Manaus Amazonia


Agradecimentos sinceros a quem fez estas imagens que me emocionam!

Fragmento do Livro das areias - " Os corpos"

No Tarumã quase não havia praias.
O ‘Banho’ (como se costumava dizer) pertencia aos
índios da tribo dos Tucanos, e ficava bastante
afastado da cidade. Longe.
Era o passeio do final de semana nos dias de sol.
Quase sempre encoberto pelas águas cheias, o rio
Tarumã dava nome ao local e era escuro como o rio
Negro. Na beira, bem na beirinha, as areias brancas
abriam o fundo que a cor das águas clareava,
em tom amarelado. Eu gostava de olhar os meus pés,
ali, dentro das águas mornas desse rio-igarapé.
De maiô inteiro minha mãe passeia de mãos atadas
com meu irmão, ainda muito pequeno. Foto em
preto e branco.
Minha irmã e eu seguimos nosso pai. Às vezes,
era preciso atravessar de canoa e, outras vezes,
resolvíamos nadar. Segurávamos no ombro dele.
Eu me apoiava de leve, buscando boiar.
No outro lado do rio moravam os índios da família
Laureano. Todos da tribo dos Tucanos, que por ali
habitavam há alguns anos.
[114]

Os homens de uma cor avermelhada e marrom eram
muito queimados do sol. As mulheres me pareciam
amarelas sempre um pouco sujas da rotina diária.
Em geral carregavam os filhos enrolados no corpo,
na frente ou de lado.
Essa família, com muitos e fartos filhos, morava em
uma maloca redonda, que, de longe, parecia quadrada.
Ainda sinto o cheiro da palha seca no telhado
e da terra viva molhada nos pés, em dias de chuva
de verão.
O chão batido segurava estacas. Grossas. Elas fincavam
a vida daquela família ao redor. Ali nasciam,
pescavam, se banhavam, amavam e morriam. Não
sei dizer se algum deles foi estudar por perto. Acho
que sim. Foram nomeados como uma tribo civilizada.
Dois dos filhos do Seu Laureano foram batizados
por meus pais, recebendo nomes cristãos.
Lembro-me bem da Maria. Mínima. Minha mãe
dizia que eu também havia nascido do tamanho de
uma caixa de sapatos.
[115]

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

Tarumã, árvore do Amazonas no Jardim Botânico do Rio de Janeiro


                                            Fotos feitas em 15.01.2014

Curiosidades: O nome tarumã é de origem indígena e quer dizer “fruto-que-dá-em-cachos”.
Informações Ecológicas: Espécie pioneira que cresce bem sobre solos úmidos ou encharcados, como terrenos brejosos e florestas ribeirinhas. É indicada para reflorestamentos, devido à produção de flores e frutos que atraem insetos e pássaros e o crescimento das mudas após o plantio é bastante rápido, podendo chegar aos 4 m de altura em 2 anos.
Floração: Floresce entre meses de outubro e dezembro, quando suas flores melíferas atraem muitas abelhas. A polinização também é feita por mariposas, borboletas, pequenos insetos e beija-flores. O tarumã geralmente floresce após ter passado um período sem folhas e as flores surgem junto com a produção de novas folhas. 

(retirado do site: nossasárvores)
http://nossasarvores.greennation.com.br/content/tree_specie/20

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

Vermelho clarão

A bola de fogo
- redonda -
queima retinas da tarde.
A pele repousa
na fria areia.
Somos nossos antepassados?
Acolhidos e confortados
com os pés suspensos em grãos
fazer cintilar o dia.
A força do desejo
nos subverte.
A frase respira:
a mulher tem consciência
de seu movimento.

segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

Final de tarde em Guarapari - Espírito Santo


                                         Praia do Morro
                                       





Fotos de José Eduardo Barros, em janeiro de 2014.

quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

Praia de Meaípe no Esp. Santo







 
              O mar, próximo daqui, tem uma coloração distinta porque
as águas salgadas se unem às águas doces do rio.

                                         Fotos de José Eduardo Barros - Janeiro de 2014.

quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

2014 no copo de cristal

Ano novo. Delicado.
Estrondos nos céus abrem os primeiros minutos da madrugada.
E repicam no chão de nossa cidade as luzes-cor.
Alguns milhares de desejos são lançados no espaço.

Manifestações são aguardadas como se fossem " torcidas organizadas"
visando um mundo melhor!
Pré-sal ? Preferimos mais educação e para todos.
Melhores hospitais: mais leitos e tratamentos sérios no dia a dia dos cidadãos.

Buracos e  ruídos para todos os lados, mas...
que tal ônibus e metrô com bilhetes únicos? (livres!)
Delicado ano novo,

nem bem começa
lemos no único jornal da cidade:
"Briga de casal termina com 9 feridos".


rio "de fortes emoções", 1 de Janeiro de 2014.