terça-feira, 29 de julho de 2014

Poema inédito, em final de julho de 2014 + De novo/ again and again

Poema em Gaza ou no Rio de Janeiro
  
1.
Sonho acordado
Ou pesadelo:
Sonhei ou vi na tevê?
Nem sei ao certo.
No incerto da imagem se misturam
O choro das mães de inúmeras
Crianças pequenas cobertas em sangue
E algodão e o sono para sempre:
Presente desta guerra sem destino.


2.
Pesadelo.
Li no jornal de todo dia ou
Escutei na Band?
Morre-se mais no Brasil:
- 3 vezes mais
Que na Faixa de Gaza!

3.
Mais perto do delírio:
A realidade aponta
A falta de
Humanidade
Afiada na arma que dispara.


Hoje, dia 29 de julho de 2014.

Até ontem, morreram mais de mil pessoas em Gaza em 20 dias de combate.

***


De novo/again anda again:

Poema em Gaza ou no Rio de Janeiro

Sonho acordado
ou pesadelo?
No incerto da imagem
o choro das mães de inúmeras
crianças pequenas cobertas em sangue
e algodão e o sono para sempre:
presente desta guerra sem destino.
Pesadelo.
Morre-se mais no Brasil:
3 vezes mais
que na Faixa de Gaza!
Mais perto do delírio
a realidade aponta
a falta de
Humanidade
afiada na arma que dispara.

Mais de mil pessoas morreram
em Gaza.

Sangue & lágrimas
sem recalque.
Nas ruas do Rio,
nos becos,
nas periferias,
nos centros das cidades
mata-se 3 vezes mais
que na Faixa de Gaza!







sábado, 26 de julho de 2014

Héctor Libertella - "O mesmo"


O mesmo

um mundo no qual sonhar e estar desperto se mesclam, sim, mas se são literalmente equivalentes.
            No gueto, por exemplo, alguém troca sonho por realidade. Acocorado na porta do bar, um homem dorme. Trata-se do único guardião da praça. Seu sonho é tudo o que o rodeia: ali observa os olhos bem abertos dos paroquianos, dirigidos à árvore de Saussure. Enquanto a árvore, não representa nada para ele (o sonho não é, como em Góngora, autor de representações). é a árvore que lhe aparece. No realismo último e extremo as coisas têm, consequentemente, uma presença extrema, extraordinária.
            Enquanto dorme, o guardião sabe que as coisas cotidianas que o rodeiam são igualmente extraordinárias. Não é preciso aumentá-las com a lupa do olhar (leitura).


ANALOGIA. Em “Pierre Menard, autor de Quixote”, Borges se esforça por encontrar uma diferença no seio do mesmo.  O Quixote de Menard é igual, letra a letra, ao de Cervantes, mas diferente, e Borges se encarrega de marcar essa diferença em dois achados. 1) Escrito trezentos anos depois, o Quixote de Menard é arcaico e afetado em comparação com o idioma natural e desenfadado de Cervantes na sua época, 2) A história é mãe da verdade em Cervantes, é o que está acontecendo. Em Menard é o que ele julga que aconteceu. se fez duvidosa; anos depois: interpretação.


HOMOLOGIA. No gueto, por outro lado, não existe a analogia, essecotejar versões”. Em todo caso, uma vaga homologia. Ali o sonho é como a vigília no Quixote de Menard em relação a Cervantes. São o mesmo que não se compara.


TAUTOLOGIA. O único sonho do guardião da praça não admite a diferença. Os “restos diurnosque vestem e revestem seu sonho não são restos, simplesmente porque ele dorme de dia e com os olhos abertos. Dorme a sesta (Macedônio Fernandez: a Siesta Evidencial) e nesse sonho tudo é evidente. Ele não tem que decifrar nenhuma mensagem, nenhuma lenda escrita comoutra vez Macedônio – “os pés de tinta china da sesta”.   
            Tampouco o sonhooutra vez Góngora – é para ele umteatro sobre o vento armado”. Não está armado porque não é teatro.
            Em relação ao vento, nãometáfora: agora no seu sonho de olhos abertos o guardião que começou a soprar vento na praça.



Héctor Libertella.
El árbol de Saussure. Una utopía.
Adriana Hidalgo editora (pgs. 71-73)

Tradução: Solange Rebuzzi
Rio de Janeiro. Verão de 2009.





Ps. recebi da poeta Tamara Kamenszain em 2009 um "regalo", o livro do escritor argentino Héctor Libertella. Em seguida traduzi o fragmento acima que, agora, publico no meu blog.

quinta-feira, 24 de julho de 2014

Ariano Suassuna partiu!

  • Resultado de imagem para ariano suassuna








Foto retirada da internet: http://pt.wikipedia.org/wiki/Ariano_Suassuna


  • Ariano Suassuna, professor, poeta, ensaísta, romancista e dramaturgo, faleceu ontem em Recife aos 87 anos. Agradecemos ao escritor por sua obra voltada à educação e à cultura do nordeste!
  • - "Tenho duas armas para lutar contra o desespero, a tristeza e até a morte: o riso a cavalo e o galope do sonho. É com isso que enfrento essa dura e fascinante tarefa de viver."

terça-feira, 15 de julho de 2014

Poema (+ Segunda versão em um sábado chuvoso)

São 18 horas:
A hora em que o dia e a noite dão as mãos
O oriente e o ocidente se entreolham
Os idosos relembram detalhes vividos
É a hora da memória mais tardia
Indagar sobre sua legitimidade.

São 6 horas:
O alvorecer bate na porta  
Reconhece o olhar que acorda
Procurando a xícara de café
A mão não tarda a dizer ao corpo
Os hábitos do amanhecer.

São 18 horas:
O dia escorre sua verdade mais cruel
A mãe cansada afaga o filho
E entrega à noite o sonho adulto
Na espera de um outro dia
Já são mais de 22 horas.

São 6 horas:
Seguimos o dia acompanhados de ruídos
Rápidos: automóveis e aviões
A tarde nebulosa esconde o outro lado do mundo
No Japão as horas correm junto com o medo
Furacão? tremor de terra?




Segunda versão em um sábado chuvoso

São 18 horas:
o dia e a noite dão as mãos
o oriente e o ocidente se espantam
os idosos relembram o vivido.
É a hora da memória tardia
indagar a sua legitimidade.

São 6 horas:
O alvorecer atravessa a porta
reconhece o olhar que
procura a xícara de café.
A mão não tarda a dizer
os hábitos do dia.

São 18 horas:
O dia escorre...
A mãe mima o filho
e à noite sonha
na espera de mais um despertar.
Já são mais de 22 horas.

São 6 horas:
O dia segue acompanhado de ruídos
ativos: automóveis e aviões.
A tarde esconde o outro lado do mundo.
Na China as horas e o medo marcham juntos.
Tufão? Tremor de terra?

domingo, 13 de julho de 2014

sábado, 12 de julho de 2014

Astor Piazzolla - Ave Maria / Beltango quinteto



Aos meus amigos argentinos,
escritores, poetas e psicanalistas
confesso: só mesmo um tango argentino!!!

(e repito o nosso poeta Manuel Bandeira:
"A única coisa a fazer é tocar um tango argentino".)

sexta-feira, 11 de julho de 2014

Poema? (e segunda versão com informações e entrevista do nouvelobs)


Faixa de Gaza

Em árabe  قطاع غزة Qiṭāʿ Ġazzah.

Naquele pequeno espaço de terra

espremido junto ao mar mediterrâneo

habitam famílias de origem árabe.

São antigos descendentes

de povos bíblicos.

Ao norte e a leste – Israel.

Eles se nomeiam “refugiados palestinos”.

Na fronteira de 11 km

com o Egito

cercados de muralhas

encontram-se os homens

que pisam no território

mais densamente povoado do planeta:

a Faixa de Gaza.

São cristãos em sua minoria e

também muçulmanos sunitas.


O Deus nosso de cada dia:

Um só!

Gaza /Gaze

Tecido leve   transparente.

Gás... éter

Vaza em Gaza um perfume de

Bum...!



                                                                      Rio de Janeiro, 11 de julho de 2014.

Segunda versão em 19.07.2014

Faixa de Gaza

Em árabe  قطاع غزة Qiṭāʿ Ġazzah.
Um pequeno espaço de terra
junto ao mar mediterrâneo.
Antigos descendentes
de povos bíblicos.
Ao norte e a leste - Israel.
Nomeiam-se "refugiados palestinos".

São homens que pisam no território 
mais povoado do planeta.
Faixa de Gaza.
Próximo ao mar
cercados de muralhas vivem
cristãos em sua minoria
e muçulmanos sunitas.

Um Deus só!

Gás... éter

Vaza em Gaza um perfume de

BUM...!




http://rue89.nouvelobs.com/2014/07/19/israel-palestine-nest-a-veille-dune-guerre-civile-france-253774

quarta-feira, 9 de julho de 2014

O Brasil banhado em lágrimas após a derrota sofrida no jogo com a Alemanha

                                 Foto retirada do jornal Le Fígaro, on line, no dia 09.07.2014.

http://sport24.lefigaro.fr/le-scan-sport/buzz/2014/07/08/27002-20140708ARTFIG00465-le-bresil-baigne-dans-ses-larmes.php


Veja no link acima muitas outras imagens do momento dramático vivido por alguns torcedores que estavam no Mineirão.
 

terça-feira, 8 de julho de 2014

Copa da Alemanha no Mineirão...

Inacreditável:
até agora - no primeiro tempo -
5 x 0
Alemanha em cima do Brasil!



– Uma Copa que não ganhamos !

 

Quando me perguntarem o que achei deste jogo Alemanha x Brasil, que aconteceu no Mineirão, neste dia 8 de julho de 2014, sempre poderei dizer que foi uma Copa do mundo que não ganhamos. Enquanto jogo, reflete um momento do nosso Brasil. Digo: reflete algo de nossa história política, de nossa incapacidade de gerir as nossas dificuldades, com esta maneira brasileira de querer antecipar as coisas e os fatos, sempre com grandeza, como se tivéssemos que sair vencedores de todos os jogos, em todas as situações. Um certo jeitinho brasileiro de pensar que não dá mais certo. Não ganhamos e não se pode ganhar sempre!

A chuva cai forte aqui no Rio de Janeiro, onde chegou mesmo a faltar luz no bairro do Leblon, e isto define um certo clima nublado e choroso que se instala na cidade e no estádio de futebol mineiro. Mas, o mais incrível é que assistimos nossos jogadores, atônitos, chutarem a bola - no primeiro tempo - como se fossem meninos diante de um forte time de adultos que sabe jogar bola.

Cabe comentar e pensar, também, que um país que se comporta como o nosso se comportou nas prévias e nos preparativos desta Copa, com desvios de dinheiros, obras inacabadas, políticos voltados para seu próprio umbigo, etc... e até mesmo com as vendas de ingressos (roubados de todos nós) superfaturados, desviados pelos próprios homens da Fifa conforme lemos nos nossos jornais, isso tudo comprova um país que ainda não cresceu. Sinto dizer, meus caros, que acabamos por “merecer” esta final.

Não são os jogadores que perdem, somos todos nós que perdemos e ...

que precisamos acordar.

Acorda Brasil!

 

 

Rio,

18.00hs deste dia inesquecível em muitos sentidos.

segunda-feira, 7 de julho de 2014

sexta-feira, 4 de julho de 2014

Copa do mundo no Brasil: Neymar

Caro Neymar,

Cuide-se!
Guarde seus passes-bailarinos para muitos outros jogos
e
nós, brasileiros, estaremos perto de você.

Agradecidos lhe abraçamos
pela delicadeza e força de suas jogadas.

Até breve!



 PS. fratura na vértebra tira Neymar da Copa!

Homenagem a Ivan Junqueira

Hoje (4/7),às 21h30, no GloboNews Literatura, programa dedicado ao poeta Ivan Junqueira.

Poema inédito de Ivan Junqueira retirado do site da Academia Brasileira de Letras: http://www.academia.org.br/abl/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?sid=338www.academia.org.br

DOM QUIXOTE
Vai a passo Dom Quixote
em seu magro Rocinante.
Sancho Pança o segue a trote
pela Mancha calcinante.
Tudo é pedra, arbusto seco,
erva má, ermas masetas.
Não se escuta nem o eco
do vento a ranger nas gretas.
O que buscam o fidalgo
e o seu álacre escudeiro?
Peripécias, duelos, algo
que lhes recorde o cordeiro
quando abriu os sete selos
e fez soar as trombetas?
Buscam o quê? O que fê-los
ir tão longe em suas bestas?
Pois esse Alonso Quijano,
ao deixar a sua aldeia,
só buscava – áspero engano –
exumar o que, na teia
de suas tontas leituras,
eram duendes, hierofantes,
castelos, leões, armaduras,
dulcinéias, nigromantes
e uma Espanha onde a justiça,
há tanto um tíbio sol posto,
fosse um bem que só na liça
pudesse ser recomposto.
Mas do triste cavaleiro
era tanto o desatino
que na cuia de um barbeiro
vira o elmo de Mambrino,
nas ovelhas ao relento,
uma tropa de meliantes,
e nos moinhos de vento,
uns desgrenhados gigantes.
Dom Quixote nunca via
o que aos seus pares narrava,
pois que só lia e mais lia,
e ao ler é que se encantava.
E assim do texto as imagens
saltavam – bruscas centelhas –
no amarelo das paisagens,
no ocre encardido das telhas.
Foi quando então, claro e fundo,
percebeu que o que ia vendo
nada tinha com o mundo
sobre o qual andara lendo.

Ilusão e realidade,
heroísmo e covardia,
sensualismo e castidade,
prosa pedestre e poesia
– eis os pólos do conflito
que somente se harmoniza
no humor de um cáustico dito
que nos fustiga e eletriza.
E o que redime o manchego
não é tanto aquilo que ama,
e sim o dom de si mesmo
no amor que doa a uma dama,
sem nenhuma recompensa
que não seja a do fracasso
ou da estrita indiferença
de quem sequer viu-lhe um traço.
De fala mansa e discreta,
que ao calar é que se escuta,
seu percurso é a linha reta
entre o que tomba e o que luta.
Vai a passo Dom Quixote,
ya el pie en el estribo.
A morte agora é seu mote.
Vai a sós. Vai só consigo.