sábado, 27 de setembro de 2014

Poema - Caderno,

CADERNO,

Deslizam em minhas mãos as linhas da manhã. Sou e não sou uma rosa. A luz ofusca. Recupero nas linhas verdes do caderno – entre o branco dos intervalos – a caligrafia da cidade. Letras informes. Alinhavo vogais. Alimento o direito de vagar nos pensamentos. O ar penetra nas narinas e sopra um tule de vento: asas de um monólogo. Folhas ainda úmidas escondem os lábios entreabertos do dia. A mão recebe o ritmo. A letra abre e fecha a respiração.


                                                                       Rio de Janeiro, 26 de setembro de 2014.

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