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segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

Resenha do livro Estrangeira por Roxana Eminescu

Solange Rebuzzi: Etrangère[1] (à elle-même)

On ne le quitte plus, une fois saisi, cet ob-je/jeu qui se décline depuis le je, par le jeu, vers l’ob-joie. Un objet voulant, parfaitement identifiable mais inépuisable, que ce dernier livre de la Brésilienne riche de bon nombre de cordes à son arc. Journal de voyage – exclusivement citadin, Rio-Paris et retour, en passant par Lyon, Bordeaux, Nîmes, Caen (pour elle, en Bretagne !), Barcelone, Amsterdam, Buenos Aires et le Manaus de son enfance –, et journal de lecture, poème en prose, narration poétique et réflexion sur tout : sur la/les langue(s), et bien entendu sur lalangue, sur la lecture et sur l’écriture, sur l’histoire, ses sens et ses non-sens, et sur l’étrangèreté dans tous les sens. Il n’y a pas trace ici de la complaisance habituelle des écritures de l’intime. Solange Rebuzzi est une vraie étrangère à elle-même, membre de plein droit de la « communauté paradoxale /…/ faites d’étrangers qui s’acceptent, dans la mesure où ils se reconnaissent étrangers eux-mêmes « , que Julia Kristeva appelait de ses vœux[2].

Si elle s’énonce comme étrangère depuis le titre, c’est pour mieux accepter et reconnaître l’Autre et la langue de l’autre en elle, une hospitalité qui est « fruit de la résistance », comme elle l’écrit dans une de ses très belles chroniques de la revue Cronópios[3]. Comme des cailloux de petit poucet, des mots, des locutions, des clichés en français (en anglais, en espagnol aussi) parsèment les pages blanches dans la noirceur desquelles [elle] cherche à implanter des racines, pour trouver les os, les noyaux des vocables (p. 59), son art poétique. Des impressions sur le vif, des notes sur le pouce, des souvenirs fugaces, des citations et des gloses, des portraits esquissés de rencontres éphémères, ce livre est tout, sauf une écriture fragmentaire. Comme d’autres microformes morcelées – les peintures de Vieira da Silva ou les compositions de déchets photographiées par Vik Muniz, par exemple, pour rester dans la lusophonie – l’assemblage en patchwork de Solange Rebuzzi dévoile au bout du compte (du conte ?) sa cohérence de véritable univers poétique. Son Paris dépareillé, avec pourtant beaucoup de Montparnasse et de Quartier Latin, loin du cliché de ville-lumière, se dessine comme illustration d’un autre propos de Kristeva : « nulle part on n’est mieux étrangers qu’en France », avec toute la polysémie de ce mieux soulignée. Un Paris impersonnel et vide, comme sur la photo de couverture, mais riche de son passé culturel absolu. La promeneuse  (nous) lit tout sur tout ce qu’elle voit et entend. Car, dans ses promenades solitaires, la familière étrangère n’est pas seule. Sa communauté d’étrangers à eux-mêmes – Francis Ponge, Jean-Marie Gleize, João Cabral de Melo Neto, sur lesquels elle a écrit et qu’elle traduit, mais aussi Baudelaire, Valéry, Cendras, Musil, Deleuze, des peintres et des sculpteurs et des musiciens – parle et se laisse parlée dans ces pages. Et Celan est omniprésent : Celan répond à Adorno sur le ne plus être possible d’écrire de la poésie après Auschwitz./ La poésie pensante de Celan place la mort là-dedans:/ Auschwitz (chez Celan) fait la circoncision de la langue (p.17). L’absolue étrangèreté qu’est la Shoah surgit encore ailleurs, sous ses pas et sous les châtaigniers plantés pour Anne Frank dans le parc d’Amsterdam, pour témoigner encore, si besoin était, de la force et de l’intensité du message. Une parole grave et intelligente mais accessible, aussi discrète et réfléchie que surprenante, qu’il faudra absolument replacer dans l’œuvre de l’auteure toute entière, poète, peintre, chercheuse universitaire en littérature et psychanalyste. Sur son site http:/www.solrebuzzi.com.  Bon voyage !

Roxana Eminescu


Nota:
publico pela primeira vez, aqui no Brasil, a resenha escrita ao meu livro Estrangeira pela professora e tradutora Roxana Eminescu. O texto foi escrito após a apresentação do livro na Sorbonne, Paris3.






[1] Editions 7 LETRAS, Rio de Janeiro, 2010, 141p. Peut être acheté en ligne à l’adresse http://www.estantevirtual.com.br/q/solange-rebuzzi-estrangeira
[2] A la fin de cette descente téméraire, intégrale et lucide dans les tréfonds de la xénophobie qu’est le livre de Julia Kristeva, Etrangers à nous-mêmes, Fayard, 1988, Folio Gallimard, 1991
[3] http://www.cronopios.com.br/site/default.asp

sábado, 21 de fevereiro de 2015

Com o Rio ao redor

O verão carioca nos espanta!

Há um grande número de balas perdidas. Inexplicáveis.   
E um calor infernal de mais de 40 graus.
Há o hábito de frequentar praias lotadas de banhistas no final do dia.
E as noitadas "ambevianas" nos bares.
Há as manchetes que sinalizam, sem constrangimento e sem trégua, 
os roubos da/na Petrobrás.
E um carnaval que se mostrou como o único prazer possível.
O respeito ao cidadão que pensa e lê desapareceu.
Assistimos a um desfile de dramas no verão.

Sem alternativas,
o banal e o trágico se apresentaram.
Por favor, 
que ao menos o Outono nos dê um descanso!
                                                                                                                                           

Rio, 20 de fevereiro de 2015.



quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

Escrevo:

Na quarta-feira de cinzas leio Annie Ernaux em Retour à Yvetot (éditions de Mauconduit), que comprei no verão de 2013 em Paris. O livro, impresso em junho de 2013, traz fotografias do arquivo privado da escritora. Paguei 9 euros.
Annie passou parte da infância em Yvetot na Normandia. A pequena cidade faz parte de sua escrita, e alguns de seus livros contam as idas e voltas da memória a essa pequena cidade. La place (Gallimard,1983), Une femme (Gallimard, 1987) e Se perdre (Gallimard, 2001) mais especialmente. Porém desde Armoires vides (Gallimard, 1974), o primeiro livro, a ville já estava presente no texto.

Comecei a pensar em escrever um novo livro durante os dias de carnaval. Não necessariamente lendo Annie, mas organizando uma pequena viagem de férias. O mais impressionante é que já montei a “boneca” do livro. E para os que desconhecem o termo (aprendido no convívio com a editora 7Letras) eu o explico. No papel pode-se muito! Vejamos: a ideia nasce e toma corpo, também, de fora para dentro, claro!

Assim, transformei alguns dias de descanso em criação...
e a próxima viagem de férias em escrita!


terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

Carnaval de 2015

Ao lado do jardim

Na tarde de hoje, respiro um calor senegalês-carioca e aguardo.
Não há nada a fazer. A cidade samba entre os jovens fantasiados que bebem os blocos
dos bairros e os turistas que andam para todos os lados.
Os habitantes locais, que não amam a temporada carnavalesca, muito pouco podem
fazer.
Tomar um sorvete no final do dia pode ser uma pedida. O risco é assistir aos últimos
foliões que passam armados de fantasias e palavras duras, ou precisar ajudar ao Corpo
de Bombeiros que transporta um desavisado de Brasília recém atropelado por uma moto, na Av.
Visconde de Albuquerque, em plena segunda-feira de carnaval.
A cidade ferve. Os restos das marchinhas chegam de longe arrebatados pela voz grossa
do puxador de samba. Reconheço pedaços.
A cidade fede. As pedras dos muros e das calçadas pedem água, mas ela está escassa.
A cidade grita: ai!ai!
Ao lado do jardim há um tapume de madeira e cercas de plástico.
É inacreditável, mas o verde se escondeu! Todos temem os tênis dos sambistas. E
muito mais...
Enquanto os jornais do dia apresentam manchetes que passeiam de um canto a outro
do absurdo político e da orgia carnavalesca, a Rio Open de Tênis corre solta no Jockey Club.
Mas, isso é pra bem poucos conforme sabemos.
De um dia a outro constatamos que houve tiroteio no meio de uma noite de carnaval,
bem no centro de Paraty. E, o número de feridos é maior que o do atentado da
Dinamarca. Não há comparação entre a festa e o horror, claro! Mas, ambos beberam o
sangue dos enlouquecidos pela violência que vigora.

Ao lado do jardim sempre existiram os pássaros e os odores agradáveis.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

Homenagem a Tomie Ohtake (1913-2015)

Em novembro de 2014, a artista plástica Tomie Ohtake completou 100 anos. E para comemorar foi aberta a exposição ‘Tomie Ohtake – Correspondências’, com curadoria de Agnaldo Farias e Paulo Miyada.

“A ideia foi uma celebração. Mostrar a importância da Tomie dentro do cenário da arte brasileira. E para isso nós focamos em três aspectos fundamentais da obra dela: gesto, cor e matéria [ou textura]”, explica Farias.

A obra acima foi apresentada na exposição paulista de 2014 pelos 100 anos da artista plástica que faleceu hoje.


segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

Cidade da Palma de Maiorca - Espanha




Palma de Maiorca - cidade velha (fotos de José Eduardo Barros em meados da década de noventa)

A cidade guarda recantos inimagináveis.
A estrada ao redor da ilha nos apresenta as montanhas e as pequeninas cidades com suas delícias culinárias e seus tesouros.
Há muitas cabras pastando nas montanhas. Elas são mansas, lindas e claras.
Pela primeira vez, mirei de bem perto as pupilas de uma cabra.
Confirmei que a forma não é redonda. As pupilas da cabra tem a forma retangular!
Mirei com espanto esses olhos que compõem o imaginário do nosso nordeste.

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

Empréstimo

Me pediram emprestado
por equivoco.
Cedi.
Não posso mais
viver assim.
Quero de volta
depressa meu anjo da guarda.


Obs. Poema de meu primeiro livro publicado em 1991, Massao Ohno editor.