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sábado, 19 de setembro de 2015

Texto in progress: O mistério da Abadia de Ardenne

O mistério da Abadia de Ardenne


Chegamos de carro. No mesmo carro em que estavam as duas jovens e belas japonesas: Mami e Asako. Uma delas já conhecia a biblioteca da Abadia e nos garantia que o jantar seria delicioso, pois isso também estava incluído na visita a esta impressionante abadia; visita que faríamos junto com o grupo do Colóquio Francis Ponge.
Entrei um pouco constrangida pela porta do restaurante. Lá, logo de início, deixamos os guarda-chuvas e algum agasalho mais pesado. Voltamos para o lado de fora e, de imediato, as máquinas fotográficas de muitos de nós já clicavam em silêncio os primeiros ângulos desse santuário. De fora, de lado. De dentro.
Um pé direito altíssimo.
Construída em tempos outros, a história conta que por lá circularam monges e escritores de diferentes origens. Gravei em algum lugar do cérebro que o local guarda algum mistério.
Atenta e séria, apesar do cansaço que ainda me acompanhava desde que chegara do Brasil, escutei os fatos relatados pelo Senhor responsável pela visita e, também, os contados pela filha de Jean Paulhan, Claire, que nos acompanhou logo depois e de forma muito dedicada.
Muitos de nós sorriam na surpresa da cena que se apresentou com as muitas caixas – gigantes e empilhadas – que deixavam imaginar também a quantidade de material que ali chegava para ser arquivado.
Dentro mesmo da Abadia um silêncio de mosteiro se impôs.
Eu me mexi lentamente.
Guardei os pensamentos no recanto do: “a posteriori”!
E,
simplesmente, olhei tudo ao redor várias vezes.
Inúmeras vezes.
A ordem da visita deve estar meio misturada. Agora me lembro que entramos na nave primeiro, claro. Só depois chegamos às tais caixas.
O mistério da Abadia de Ardenne deixou-se perceber de um golpe só no momento da leitura dos poemas de Jean-Marie Gleize. Ao menos para mim, aconteceu uma “escuta” muito singular. Ali pude, de fato, ouvir uma leitura carregada pela força do lugar que deixava os sons soarem com a acústica local privilegiada.  

                                                            
                                                                      Rio de Janeiro, 19 de setembro de 2015.

Notas tomadas em 27 de agosto de 2015:
Visita à Abadia - Biblioteca 

Chegamos em seis carros distintos. E éramos quase todos professores, pesquisadores e escritores.
Entramos acompanhando o Senhor que nos apresentava no trajeto da visita até mesmo a sala dos arquivos escondidos (com as caixas que chegavam para serem depois guardadas).

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