fotos de arquivo

domingo, 13 de setembro de 2015

Uma brasileira em Cerisy

Cheguei acompanhada ao Castelo de Cerisy, na Normandia.
Uma chuva leve e fria tingia o final da tarde.
A viagem no tempo começava.
Cenas de cinema italiano deslizaram imagens que entravam e saiam de foco.
Imagens inesperadas.
No jardim, quase escondido pela bruma,
as pedras, as árvores e as flores aguardavam
e bebiam a umidade do verão. Ainda era verão
(embora a temperatura fosse mais baixa que a do nosso inverno carioca).
Algumas nuvens faziam nervuras e em camadas sólidas
pintavam de branco o céu.
Quase romanesco e muito embriagador.
Tomada por este cenário, percebi que pouco ou muito pouco
de razão restava no início desta noite
que exigia diálogos em outra língua.
No entanto, a perplexa curiosidade não se deixou abater.
Nem mesmo pelo cansaço. 
Penetrei na alma deste Castelo nos sonhos das noites que ali se iniciaram.
Ouvi os discursos dos poetas e dos leitores de Ponge
e, também, as histórias dos familiares e dos antepassados de alguns de nós.
Os sete dias de homenagens a Francis Ponge foram emocionados,
assim como as leituras de seus poemas e textos.


Rio de Janeiro, 13 de setembro de 2015.





Nenhum comentário:

Postar um comentário