fotos de arquivo

sábado, 31 de outubro de 2015

Fotocolagem (a partir de correspondência recebida do Japão)

                                              Merci, Mami!

terça-feira, 27 de outubro de 2015

Le Bruit du temps, livraria e editora

Creio que foi no dia 9 de setembro deste ano, que conheci o espaço da livraria e editora Le Bruit du Temps em Paris. A vitrine tão convidativa quanto perspicaz apresentava alguns livros abertos de escritores já meus conhecidos e, também, queridos: Francis Ponge, Philippe Jaccottet e Virgínia Woolf estavam entre eles. 
Logo cedo aguardei a livraria abrir passeando ali por perto. Estávamos no alto da montanha Sainte-Génèvieve e, até mesmo em função disto, pude admirar e fotografar as imagens que essa vitrine apresentava. Mirei com interesse as belas fotos dos escritores e ainda a dedicatória escrita por  Ponge a Jaccottet, confirmando a amizade entre eles. Como um painel literário, a vitrine da livraria dava lugar para a letra manuscrita participando da obra, lugar que, hoje, está quase abandonado; não havendo mais o cuidado de continuar a dar visibilidade à letra.  
Quando adentrei a loja propriamente dita já havia escolhido o que queria comprar, e as perguntas que queria fazer roçavam a minha mente curiosa. Conheci o editor imediatamente, e logo travamos uma conversa cheia de interesses de ambos os lados. Fui presenteada com o exemplar de um livro da editora e, mais tarde, passei para retribuir o gesto com a tradução de Nioque antes da primavera de Ponge, tradução realizada por mim. 
Comentei com o editor sobre o Colóquio Francis Ponge em Cerisy, recém acontecido, e comprei o exemplar Ponge, Pâturages, Prairies de Jaccottet que, agora, manuseio com delicadeza.
A editora, que funciona ali mesmo, me trouxe de volta na mente a editora 7Letras, que da mesma maneira, aqui no Rio de Janeiro, ocupa um pequeno e interessante espaço de livraria-editora. São editores assim que sobrevivendo com luta dão alma ao livro e nos fazem vibrar, fazendo vibrar sobretudo a alma do livro.

Aqui, quero agradecer e deixar a minha homenagem aos dois: o editor parisiense e o editor carioca !

Rio de Janeiro, 27 de outubro de 2015.









domingo, 25 de outubro de 2015

Le Détail de Daniel Arasse/ O Detalhe de Daniel Arasse

Nota sobre o livro:

 Le Détail  Pour une histoire rapprochée de la peinture de Daniel Arasse foi publicado pela primeira vez em 1992 na coleção Idées et Recherches e, depois, em 1996, Flammarion.
Este livro que "abre um novo campo da história da pintura: o detalhe" nos alcança desabrochando aos poucos o movimento do olhar sobre a obra de arte.
Comprei o livro de Arasse no formato de bolso. Pleno de imagens de pinturas célebres, a proposta do autor se cumpre pois ele nos dá uma dimensão nova ao que olhamos, às vezes, muito rapidamente. 
O quadro de Lorenzo Lotto, La Nativité, de 1527-1528 que está em Siena, na Pinacoteca Nacional, é um exemplo magnífico do que nos propõe Daniel Arasse. 
Cito-o traduzindo livremente:

"Tradicionalmente, de fato, Jesus não toma banho depois de seu nascimento - é isso mesmo que distingue seu nascimento do de Maria ou de João Batista. É muito estranho que Salomé assista a este banho - a sábia-mulher incrédula, (...) tocando o corpo de Jesus."(p.90)
Um detalhe tão especial como este, segundo Arasse, nos leva a perceber o "silêncio dos historiadores" sobre um fato contido na história da vida de Cristo.
Fiquei sabendo, então, que Salomé tendo sido a mulher que desconfiou da virgindade de Maria, querendo tocá-la, foi detida tendo sua mão paralisada naquele momento. Este banho, uma "invenção do pintor" nos convoca a pensar, portanto. 
O quadro nos apresenta um banho noturno, pouco tempo depois do nascimento de Jesus. Na cena escura estão Maria, Salomé e Jesus que está dentro de uma banheira cheia de água. A pintura ganha uma grandeza na visão singular de Arasse. O Nascimento como Lotto o nomeou diz de um momento especial em muitos aspectos. 
Não temos mais tempo, hoje, para nos debruçar em detalhes. Por isso mesmo esse livro é precioso.
Escrito na contramão do horror de nossa época, encontramos na leitura um oásis aos nossos dias, quando os jornais só destacam a excentricidade da matéria, os excessos e a guerra sem piedade.

Rio de Janeiro, 25 de outubro de 2015.



sexta-feira, 16 de outubro de 2015

Amboise na França

                                         A capela onde foi enterrado Leonardo da Vinci no
                                         jardim do Castelo de Ambois
                                         

O castelo de Amboise visto de fora
                                               
                                                      Os jardins do Castelo de Clos-Lucé                                      


                                        A lareira do quarto de Leonardo da Vinci no Castelo
                                        de Clos-Lucé

                                          O rio La Loire banha a cidade de Amboise no Vale
                                          do Loire

Contam que, na Idade Média, os habitantes desta região se instalavam ao pé do Castelo.
Construído nos séculos XV e XVI por Charles VII, Luis II e François I, o castelo de Amboise é considerado como a primeira residência real da Renascença francesa. Abriga o túmulo de Leonardo da Vinci em sua capela.
As fotos feitas no verão de 2015 mostram alguns ângulos do jardim construído por Da Vinci durante os últimos quatro anos de sua vida  quando viveu no Castelo de Clos-Lucé em Amboise. 

quinta-feira, 15 de outubro de 2015

Les Carnets de Léonard de Vinci 1/ Os cadernos de Leonardo da Vinci 1

Leio, com alegria, fragmentos e textos dos Cadernos de Leonardo da Vinci.

Traduzo uma delicadeza botânica:
(p.321)

"Cada galho, cada fruto nasce para a inserção de sua folha,
 que lhe serve de mãe lhe dando a água das chuvas e a umidade
 do rosado noturno e, com frequência, nela também os protege
 do excessivo calor dos raios de sol".
                                                            G 33 v.




Desfrutem!

Rio de Janeiro, primavera quentíssima de 2015.

segunda-feira, 5 de outubro de 2015

Cartão postal (3)



As folhas se desprendem
do caderno: metade letra.
              Metade silêncio.
Os ruídos das bombas clareiam a noite.
Ela sonha (o mar respira em goles longos)

…………………………………………………
Em quê língua cantaremos os próximos séculos?

Deixaremos de amar com o corpo quente ?
Não olharemos a Guerra sem identidade.
Os instantes se escondem nos lutos.
Inesperados.
O tempo de agora é grande ironia

(longe das paredes caiadas de nossas casas
visíveis ainda em sonhos).







Cartão postal (2)



Nas estradas da Síria
e da Somália:
poeira e pedras.

O vento corta a pele.
Resseca. Aumenta
o calor do corpo.

Inúmeros corpos;
dezenas, centenas.
Milhares.

Eles andam em passadas graves
e avançam mais uma cidade.
Um lugarejo qualquer.

Perdidos. Fantasmas.
Os pés se apoiam no tempo.
A história conta as horas.

Um dia. Um ano.
É o céu quem dá de beber.
Desde onde?

A história se repete
para sempre.
- Os teus filhos estão aqui?

Alguns morrem no caminho.
Não nos surpreendemos mais.
As nuvens são ralas e raras.

(Antes, costumávamos comer reunidos).





domingo, 4 de outubro de 2015

Cartão postal (1)

A guerra inunda e desmonta cidades e planícies.

O cenário no fio do tempo se desconstrói.

Esta terra é nômade?

No exílio é preciso reaprender a falar.

............................................................


A mulher escuta espantada as diferentes línguas

que circulam no espaço

(os lençóis brancos estão desfeitos em cima da cama)

e as mãos procuram os teclados com urgência.

Procuram o traço sensível da humanidade.


Ela disse andando dentro de casa:

"as guerras são sinistras"!

A voz de Anna Akhmatova ressoa de algum lugar.


As rotas não são mais as mesmas.

Eles a olham como estrangeiros.

Ela não se reconhece nesses olhares.


(Mas as flores de jasmim na primavera perfumam o nosso bairro).