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sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

O novo livro de Pascal Guignard

Princesse
Vieille Reine

de Pascal Quignard

Comprei em Agosto de 2015, em Paris, o livro recém editado pela Galilée


O livro e o título

Com menos de sessenta páginas, o livro elegante de Guignard me atraiu primeiro pelo título.
Posso traduzi-lo, de imediato, como: Princessa  Velha Rainha  cinco contos ou, ainda, Princesa Rainha Velha em cinco contos.
As duas formas fazem o leitor pensar. Sugerem um caminho na linguagem no qual a menina-princessa se depara com o lugar de uma rainha na velhice? Possivelmente. Mas, não só isso.
Logo na abertura do livro encontro, em uma folha solta, uma Prière d’insérer. Surpreendida pelo fato procuro a tradução mais ampla para o gesto do autor.
Uma Prière/Prece aqui não se parece com uma oração. Vou buscar desvendar a expressão em diálogo com uma amiga francesa.

Princesa, velha rainha
Em cinco contos revela-se em cinco vestidos:
um quimono japonês,
uma longa túnica,
um vestido de seda da China,
um mantô de pele,
um vestido da época de Napoleão III…

E um espelho vazio…
imaginário colocado no jardim.

Pode o leitor questionar qualquer coisa, mas nunca a escrita de Guignard que é teatral tanto quanto poética.
Adorei!


Divulgo, aqui, para os leitores de poesia
(e ainda para os psicanalistas!)
                                                                                                                

                                           Rio, final de janeiro de 2016.



quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

A Claridade



Na frase, às vezes, não se encontra muito facilmente a claridade.
Em meio aos nomes e colocada ali de forma tal que deve pulsar de repente, a claridade participa da elegância da linguagem, mas não tem relação direta com a simplicidade das idéias e, sim, com o ritmo (a condensação, aquilo que já foi dito antes mas que se mostrava desgastado). A claridade tem relação com a invenção.

A claridade está na linguagem assim como estamos todos nós na natureza. Nós participamos da natureza, mas não somos a natureza!

                                                                                                      S.R.

(Reflexões a partir do livro Buscar una frase de Pierre Alféri, Amorrortou/editores. B.A, 2006.)


quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

Escrevo:

E… enquanto

Assisto constrangida o vai e vem dos imigrantes no mundo europeu, principalmente
assisto comovida a luta destas mulheres e homens por uma vida digna.
A grande maioria procura escapar das bombas sem fim que pipocam em todas as direções. O desmonte da vida e das raízes destas pessoas não se parece com Nada.
Talvez, com as invasões e bombardeios durante a Segunda Guerra nas regiões em luta.
Porém, essa gente não escolheu a Guerra.
Submetidos a tal barbárie, mal têm tempo de pensar e entender o que se passa em seu País. A terra que deixam para trás, a história, as raízes e até mesmo a língua são parte de um Tempo nunca antes imaginado como perdido.
Precisamos respeitar essas pessoas.
Entendê-las em seu sofrimento.
Ajudá-las a superar o trauma e a sustentar a humanidade que possuem.

Enquanto, o mundo se transforma e se define na direção da redução de princípios humanitários antes considerados básicos, alguns países, os ditos civilizados, só pensam na guerra!


                                                         S.R.

Rio de Janeiro, 21 de janeiro de 2016.