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sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

À Sombra das Tamareiras (Contos Orientais) de Humberto de Campos

Comprei na semana passada o impressionante livro de contos À Sombra das Tamareiras de Humberto de Campos, escritor e acadêmico já falecido há muitos anos.
Intrigada e atraída pela leitura fui, lentamente, levada a relembrar um outro momento de minha vida, vivido na biblioteca de meu avô em Vitória, quando ainda muito jovem fiz a primeira leitura deste livro. Talvez com a primeira edição; a de 1935 pela José Olympio.
A delícia desse reencontro com o escritor foi crescendo de um conto a outro. E não me tirou o gosto de reviver na leitura a escrita dos contos orientais, possivelmente soprados ao escritor maranhense conforme ele mesmo afirma logo no início do livro.
Mas as lembranças não pararam por aí, nem as delícias. As N.A. (notas do autor) assim como as notas em geral são de grande proveito, e lemos as explicações sobre os nomes próprios, as expressões, os hábitos e as inúmeras sutilezas vividas tanto na Síria quanto no deserto de Dahna, ou nas montanhas de Oman, na Turquia e também na Arábia Saudita através dos escritos de Campos.

Em tempos violentos como os de hoje, em algumas destas regiões, o livro nos leva a conhecer um outro lado da vida dos homens que passaram a viver outra realidade.

Parabéns à editora Almádena que o publicou!


  S.R.

Rio de Janeiro, 19 de fevereiro de 2016.



O Conselho do Xeque

Quando os príncipes Aislan e Khaled, filhos gêmeos do rei Rumazan, chegaram à adolescência, e a alma se tornou dentro deles como o pássaro novo cujas asas se enfeitam das primeiras penas, o monarca os chamou e disse-lhes:
- Viestes até aqui trazidos pela minha mão, à semelhança de dois cegos levados a pedir esmola na feira de Chiraz. Aproxima-se, porém, o momento de vos conduzirdes a vós mesmos e eu tenho de dar-vos, a cada um, o seu bordão. Qual dos caminhos da sabedoria desejais seguir? O dos estudos profundos, que alimentam o espírito, ou o da poesia leve, que deleita o coração?

(fragmento, p. 49)


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