sexta-feira, 18 de março de 2016

Devaneio


O vento das montanhas altas sopra. Longe. Talvez na infância.
Sinto no corpo a direção salgada do mar. Chega junto com o murmúrio das folhas
soltas. Sobrevoam no descampado verde, bem perto da areia da praia. Distintos matizes.
O céu cinzento não esconde a força: nuvens pesadas. Elas ainda guardam a água a
ser derramada em breve. Alguns raios riscam letras no espaço.
Não sei bem onde estou. A lembrança é antiga. Parece nunca ter sido alcançada
com nitidez. 

A escrita abre as asas da mão.
O corpo gelado da tarde de inverno.
Um maiô azul colado à pele.
Os lábios quase roxos.
Corro pelas areias douradas: 
Guarapari.
Areias duras.
Uma surra de vento corta as canelas.
O branco da página sopra.
Bico de lápis.  
Um calor acalma o frio da infância.
Lívida respiro em goles a natureza.
(É possível escrever um devaneio?)



Rio, final de verão de 2016.




quinta-feira, 17 de março de 2016

Nunca vi nada igual


Em 17 de março de 2016 escrevo:

O momento brasileiro pede ação e cautela. Movimento e pensamento.
A política se apresenta podre. E ainda empobrecida pela realidade 
midiática.
As falas enlouquecidas de alguns políticos ultrapassam a nossa 
imaginação, e, ultrapassam até mesmo a ficção.
As ações tomadas na política brasileira parecem um filme de terror 
que nunca chega ao fim. Temos vivido de sustos!
Relembro Deleuze em aulas ouvidas na década de noventa. Cito 
frases anotadas livremente: Vivemos um tempo de mundo sem pensamento 
onde “as manchetes dos jornais antecipam os fatos”.
Sim, é exatamente isto que está acontecendo agora, todos os dias e todos 
os instantes de um mesmo dia. Estamos atônitos. Nunca vimos nada 
igual.
E, pior, não há tempo algum de elaboração. Não há intervalo!
A sequência vexatória dos atos dos políticos (de distintos partidos) 
está exposta, e os que se envolveram com eles e viveram tirando vantagens 
de tudo e rindo ao longo de décadas, sem se comprometer com a nossa 
sociedade como um todo, estão com ‘cara’ de marginal diante da Nação.
Estamos confrontados com um nível máximo de banalidade e ainda não saímos disso!
É estranho. É promíscuo. E é cruel com todos nós.
Não devemos banalizar o mal. O nosso mal-estar é grande, mas é preciso agir 
dando passos sérios, e sem leviandade!


S.R.




quinta-feira, 10 de março de 2016

Crônica carioca

Crônica de uma cidade antes das Olimpíadas

“A origem da palavra crônica é grega, vem de chronos (tempo), 
 é por isso que uma das características desse tipo de texto é o                  
 caráter contemporâneo.”*

No vai e vem de um dia de semana como o de ontem, com o calor imenso que não nos abandona, quero relatar alguns fatos, de fato, observados.
A via escolhida nesta crônica rumo à Jacarepaguá só nos dava a chance de dirigir devagar e sempre. Obras e mais obras ao longo de todo o caminho, com alguns atropelos impensados de interrupções na viagem: tratores levantando terra, carrinhos de mão lotados de pedras. Muita poeira... e muitos ruídos. Tudo parece ser parte de uma grande obra decidida com bastante antecedência pelos dirigentes e políticos que, supostamente, administram “tudo” com inteligência.
Mas, eis que observo no trajeto feito ontem, que o número de operários trabalhando está bem reduzido. Sim, contei apenas 3 ou 4 britadeiras colocadas diante da tarefa impossível de perfurar pedras enormes, que ainda escondem o tal túnel a ser cavado e inteiramente construído, digo: com as pistas, as luzes, etc, que pretendem ligar S. Conrado-Barra.
A cena que comento me fez pensar nas grandes construções feitas na Roma antiga. Lá, pelo que sei de leituras feitas, os homens trabalhavam durante vários anos, centenas deles, muitas vezes milhares de escravos eram colocados a serviço do Império para dar conta das construções que tocavam as pedras e os mármores gigantescos visando obras monumentais que ainda hoje podemos apreciar.
Os Tempos são outros. E os fatos também. Estamos no Rio de Janeiro que está sendo preparado em tempo curto para as Olimpíadas.
Não só constatamos a falta de operários nas obras como a falta de muitas outras providências necessárias para tal empreendimento. Nem preciso listar, pois os jornais têm feito isso sempre.
O “tempo” nem sempre é um aliado do homem. Ele corre!
E podemos apenas relembrar, que os homens que vivem nesta cidade precisam continuar a ter o direito de ir e vir; o que está muito prejudicado. Diante destas Olimpíadas sofremos. E presenciamos, sem escolha, a falta de ética na qual a ganância de alguns ou de muitos nos lançou. (Sem comentários!)
Uma crônica é só uma crônica. O Tempo é muito maior que isso.
A cidade vai sobreviver aos gananciosos... mas, como sabemos, tudo tem um custo (inclusive, físico e moral)!


*(A classificação acima foi retirada da internet, apenas para dar origem ao texto-crônica que escrevo agora.)



terça-feira, 8 de março de 2016

Texto escrito no verão de 2016

E os imigrantes ...

Leio com atenção as notícias mais recentes sobre as decisões políticas tomadas a respeito deste assunto tão comovente quanto constrangedor: para onde enviar os imigrantes sírios, afegãos, etc.
Não podemos simplesmente guardá-los em armários, fora do mundo, escondendo as chaves.
A tensão cresce, todos os dias mais um pouco, nas áreas mais afetadas pelo movimento de homens e mulheres que chegam de distintos países destruídos pelas guerras causadas, também, por vários países europeus.
Vivemos Tempos nunca imaginados!

Aqui do Brasil, procuro não me desviar da questão apesar dos bombardeios de ignorâncias e barbáries que correm nos noticiários, sempre apontando para os políticos e os homens que se venderam aos (ou compraram os) políticos; corrupção em demasia!
O calor continua insistindo neste final de verão como um som surdo, que não nos deixa em nenhum momento do dia. Talvez, para lembrar a questão deixada de lado sobre os graves problemas do aquecimento global, que visualizamos mas não damos espaço e nem tomamos as providências necessárias, preferindo a alienação. Estou me referindo aos cuidados com a natureza tanto quanto com os desmatamentos da Amazônia, com a limpeza das cidades grandes (dos bueiros) e dos rios, com os excessos de sacos plásticos lançados no mar, com os pesticidas que nos habitam ao serem despejados na terra fértil e nos alimentos que consumimos. E, até mesmo com os mosquitos fatais que invadem e adoecem a nossa cidade, dita Maravilhosa.
Ah, são tantas as questões sérias! No entanto, passamos a maior parte de nossas vidas ouvindo as bobagens afirmadas pelos homens que não têm pensamento.
Não posso crer que em pleno século XXI o nosso potente país ainda esteja comprometido apenas com os subornos!

Volto ao tema mais grave ainda, ao tema histórico de nossos dias:
Como vamos dar conta, caso seja, de fato, o interesse humano do momento, de tantas vidas e de tantas crianças lançadas ao léu (interrogação).

S.R

Rio de Janeiro, final de verão de 2016.

segunda-feira, 7 de março de 2016

Homenagem

Madre Teresa de Calcutá
Madre Teresa de Calcutá (1910 - 1997) foi uma missionária católica albanesa, que dedicou sua vida ao auxílio de pobres e famintos e, mais tarde, foi beatificada pela Igreja Católica.
Trabalhou como professora de história e geografia no início de sua vida religiosa em Calcutá. Aos poucos caminhou em direção aos mais necessitados. Viveu na Índia. Criou a casa 'Dom de Maria', e recebeu o Prêmio Nobel da Paz em 1979.



Dados recolhidos no Wikipédia.
Ficou conhecida como Madre Teresa de Calcutá.
Os homens de hoje, conforme constatamos, passam a vida correndo e quase não tem tempo de pensar na caridade.
Os valores humanos estão corrompidos pela ganância.
Aqui, agradeço pelos trabalhos e pela dedicação desta mulher singular!