quinta-feira, 10 de março de 2016

Crônica carioca

Crônica de uma cidade antes das Olimpíadas

“A origem da palavra crônica é grega, vem de chronos (tempo), 
 é por isso que uma das características desse tipo de texto é o                  
 caráter contemporâneo.”*

No vai e vem de um dia de semana como o de ontem, com o calor imenso que não nos abandona, quero relatar alguns fatos, de fato, observados.
A via escolhida nesta crônica rumo à Jacarepaguá só nos dava a chance de dirigir devagar e sempre. Obras e mais obras ao longo de todo o caminho, com alguns atropelos impensados de interrupções na viagem: tratores levantando terra, carrinhos de mão lotados de pedras. Muita poeira... e muitos ruídos. Tudo parece ser parte de uma grande obra decidida com bastante antecedência pelos dirigentes e políticos que, supostamente, administram “tudo” com inteligência.
Mas, eis que observo no trajeto feito ontem, que o número de operários trabalhando está bem reduzido. Sim, contei apenas 3 ou 4 britadeiras colocadas diante da tarefa impossível de perfurar pedras enormes, que ainda escondem o tal túnel a ser cavado e inteiramente construído, digo: com as pistas, as luzes, etc, que pretendem ligar S. Conrado-Barra.
A cena que comento me fez pensar nas grandes construções feitas na Roma antiga. Lá, pelo que sei de leituras feitas, os homens trabalhavam durante vários anos, centenas deles, muitas vezes milhares de escravos eram colocados a serviço do Império para dar conta das construções que tocavam as pedras e os mármores gigantescos visando obras monumentais que ainda hoje podemos apreciar.
Os Tempos são outros. E os fatos também. Estamos no Rio de Janeiro que está sendo preparado em tempo curto para as Olimpíadas.
Não só constatamos a falta de operários nas obras como a falta de muitas outras providências necessárias para tal empreendimento. Nem preciso listar, pois os jornais têm feito isso sempre.
O “tempo” nem sempre é um aliado do homem. Ele corre!
E podemos apenas relembrar, que os homens que vivem nesta cidade precisam continuar a ter o direito de ir e vir; o que está muito prejudicado. Diante destas Olimpíadas sofremos. E presenciamos, sem escolha, a falta de ética na qual a ganância de alguns ou de muitos nos lançou. (Sem comentários!)
Uma crônica é só uma crônica. O Tempo é muito maior que isso.
A cidade vai sobreviver aos gananciosos... mas, como sabemos, tudo tem um custo (inclusive, físico e moral)!


*(A classificação acima foi retirada da internet, apenas para dar origem ao texto-crônica que escrevo agora.)



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