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sexta-feira, 18 de março de 2016

Devaneio


O vento das montanhas altas sopra. Longe. Talvez na infância.
Sinto no corpo a direção salgada do mar. Chega junto com o murmúrio das folhas
soltas. Sobrevoam no descampado verde, bem perto da areia da praia. Distintos matizes.
O céu cinzento não esconde a força: nuvens pesadas. Elas ainda guardam a água a
ser derramada em breve. Alguns raios riscam letras no espaço.
Não sei bem onde estou. A lembrança é antiga. Parece nunca ter sido alcançada
com nitidez. 

A escrita abre as asas da mão.
O corpo gelado da tarde de inverno.
Um maiô azul colado à pele.
Os lábios quase roxos.
Corro pelas areias douradas: 
Guarapari.
Areias duras.
Uma surra de vento corta as canelas.
O branco da página sopra.
Bico de lápis.  
Um calor acalma o frio da infância.
Lívida respiro em goles a natureza.
(É possível escrever um devaneio?)



Rio, final de verão de 2016.




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