quinta-feira, 12 de maio de 2016

Poema recente em exercício


1.
Um vento assombrado sopra na tarde. As páginas do livro correm e os galhos das árvores se dobram. Ruídos de automóveis. A mulher idosa deixa os cabelos fugirem e a saia de pregas miúdas da menina se ilumina no vendaval.
Só o outono escuta os cantos dos pássaros. As janelas da sala seguram o vento assombrado. Os olhos circulam nas manchetes do jornal. Acompanham as folhas que deslizam de um lado ao outro. O final do dia não ganha um ponto final.

2.
Qualquer lugar é pretexto: (política e texto?)
Um poema trafega na página clara.
O céu escurece o azul.
As letras e os pontos não desabrocham.
Insistem na vertical do verso.
O pensamento circula em ângulos agudos.
Mãos embaralhadas catam a exclamação
que (quase) não surge.



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